Figurinha

O blog de Tati Contreiras

Archive for the ‘ Roteirices ’ Category

Você não está obesa, mas também está bem longe de ser magra. Você acha que passou da idade de usar baby looks e blusinhas coladinhas no corpo. Você também acha que parecer piriguete aos quase 30 anos é um pouco demais.

Aí você compra uma blusinha larguinha. Se anima e usa um vestidinho com legging, ou uma batinha com calça jeans. E automaticamente todos os olhares se voltam para a sua barriga. Reação automática ideal: “não estou grávida, estou gorda mesmo”. Resposta automática ideal: “imagina, você tá ótima! Uma gracinha essa batinha”.

Alerta ligado: quando alguém diz “uma gracinha essa batinha” pode ser sinônimo de…

1. “Continuo achando que essa blusa larguinha é para disfarçar a pança”

2. “Hmmm… Achei cafona, tá uma vibe Citycol”

3. “Você tá mesmo parecendo grávida, eu tô só tentando disfarçar o constrangimento pela situação, não se engane”

4. “Sou magra e não preciso dessas artimanhas, mal aí, flagrei sua intenção”.

Mas qual o problema da blusa larguinha? Também tem gente magra que usa, não tem? Ou eu sou obrigada a usar calça jeans, blusa certinha no corpo e ficar encolhendo a barriga o dia inteiro? Porque convenhamos: melhor usar um vestidinho ou uma batinha do que sair por aí embalada a vácuo e parecendo um salaminho.

E se alguém perguntar se eu estou grávida eu fecho a cara e digo que estou gorda, nem que perca um lugar no ônibus por isso.

UPDATE: No Twitter, a querida Rach Mattos dá o serviço. “melhores lugares pra comprar blusas larguinhas mas que não parecem de grávida: checklist e dress to.” Na Dress To eu compro pouco, na Checklist já comprei muito! Os vestidinhos são ótimos também.

Dia desses fui a São Paulo a trabalho e comprei uma revista motivada pela chamada. Há quantos anos não fazia isso? Provavelmente quando parei de comprar a Capricho, mas tudo bem. A manchete falava algo sobre “tem 30 anos e não conseguiu tudo na vida? Você não é uma fracassada” (você pode ler aqui, ó, é só clicar).

A repercussão da matéria entre as meninas que conheço – que não são mais tão meninas e que estão aqui e em todo lugar – me fez pensar (como se eu não pensasse nisso sempre) sobre essa nossa condição. Aí vejo canais de TV querendo investir em “mulheres entre 25 e 34 anos” e penso “esses caras tinham que ver um dia das nossas vidas”.

Você quer escrever mais no blog, mas não tem tempo. Quer viajar mais e comprar mais coisas, mas não tem dinheiro. Quer ler mais, mas tem sono. Quer ganhar dinheiro com suas ideias, mas não tem tempo,  porque está ocupada (não) ganhando dinheiro.  Quer se dedicar mais ao trabalho, mas tem sono e não tem tempo porque (adivinhe!) o trabalho já ocupa boa parte dele.  Você também quer se dedicar mais à casa, à cozinha, ao forno, ao fogão, ao namorado, aos animais de estimação, às séries de TV e aos shows e aos lugares legais que abrem na cidade e a jogos de tabuleiro e aos amigos e…  aí, Brasil, comofas?

Não é possível que isso aconteça só comigo. Será que eu sou louca? Com vocês também é assim? Como vocês dão conta das suas vidas e realizam tudo o que querem e precisam? Vocês dão conta de tudo? Se ressentem de estarem beirando os 30 sem estarem como imaginavam? (Eu não me ressinto, só queria que algumas coisas fossem mais fáceis, nem precisava ser molezinha)

Tá, estou devendo as dicas de Nova York até hoje (estão caducando nos drafts), mas precisava ter esse momentinho “não sou só uma máquina de escrever posts ou matérias”.

Poeira espanada, enquete feita, voltemos à programação normal!

PS:  Só um adendo sobre a tal matéria: as personagens eram todas lindas e bem-sucedidas e o efeito foi exatamente o contrário. Quando a pessoa mais  loser é sócia de uma produtora, oi? Tem algo errado. Taí o #fail do mês.

Como sempre faço quando estou atrasada para os plantões mensais na firma, peguei um táxi faltando 10 minutos da hora em que deveria me apresentar na redação (lamentando, obviamente, os R$15 que gastaria ao fim da corrida). Bati a porta do carro e tive a impressão de que o sujeito não me era estranho. Depois, pelo tom agressivo da conversa, lembrei que era o mesmo taxista que uma vez foi de Copacabana à Cidade Nova reclamando de alguma coisa que não lembro bem. Enfim, digressiono.

Passamos por um jipe cheio de gringos, a caminho da agora pacificada Ladeira dos Tabajaras.

- Olha os gringos ali! Agora ficam procurando favela pra conhecer. Eu é que não pego essa gente. Eles não entendem que existe tabela. Aí ficam discutindo e só querem pagar o que tá no taxímetro.

- Pois é, mas é que eles leem nos guias antes de vir para cá que só vale o que está no taxímetro, lá fora o Rio tem fama de ter muito táxi pirata, né?

- Não pego e digo mais: se achar carteira ou coisa de gringo no meu carro, não devolvo. Já parei em delegacia por causa disso. Fui ajudar e disseram que eu tinha roubado! Esses fedorentos no meu carro não entram.

Continuamos a corrida. Daí ele me pergunta se sou jornalista. Fico sem jeito de dizer que não e confirmo.

- Desculpe a indiscrição, mas quanto ganha um jornalista? Quanto a senhora ganha?

Sem graça, achei por bem generalizar.

- Depende do cargo, moço. Chefe ganha mais, mas repórter, assim, sem ser recém-formado, que já trabalha há um tempinho, pode ganhar entre R$ 2 mil e R$ 2,8 mil.

- Filha, só de conta eu pago DOIS MIL E QUINHENTOS REAIS. Tiro por mês cinco, seis mil. Era faxineiro de um prédio em Copacabana, o síndico me demitiu, fiz questão de comprar apartamento lá. E de frente, melhor que o dele. Tem que me aturar!

Fico com uma certa cara de bunda pensando que não rodo pela madrugada nem corro o risco de botar malandro no meu carro, mas que ainda assim engulo tanto sapo quanto ele – quer dizer, não ele, que não guarda a língua na boca. Ainda tenho tempo para ouvir um último conselho:

- Filha, muda de vida enquanto é tempo. Faz um concurso público. Você é muito bonita e simpática pra ser jornalista.

Que eu tenho fixação por diálogos todo mundo sabe – aliás, taí o que eu realmente queria fazer da vida. Daria um dedo – tá, exagero, daria os vestidos do meu armário – pra ter sido uma das roteiristas de “House” ou “Gilmore girls”, melhores diálogos EVAH na minha mais que humilde opinião.

Daí fui dar uma olhada no Raios Triplos , dos amigos Calazans, Eusébio e Silvio e vi um que eu queria MUITO ter ouvido:

Na Rua Humaitá.
Ele: Você tem cachorro?
Ela: Não, graças a Deus.
Ele: Graças a Deus.
Ela: Só um papagaio, quatro periquitos e um canário.
Ele: E não suja muito não?
Ela: Não, pode limpar a gaiola dia sim, dia não. Mas se não der comida, o papagaio fica doido e começa a repetir: “Mãe? Chegou, mãe? Mãe!”

Humaitá, né, Calaza anda de ônibus fino. Os meus são a freakoland mermo.

Google Analytics Alternative

Meta