Figurinha

O blog de Tati Contreiras

Viajar já estoura qualquer orçamento. Quando ele é apertado então, nem se fala. Fui para Nova York com o mantra “não vou gastar muito” na cabeça, mas é impossível (até pela quantidade de pechinchas encontradas). Taí a fatura do meu cartão de crédito e minha conta bancária que não me deixam mentir.

Mas ainda assim uma vida de semi-glamour é possível. Munida de disposição e pouco dinheiro, bati perna por Nova York e tentei garimpar o que havia de bom, bonito e barato. Acho que consegui. Espero que essas dicas ajudem você, amiga dona de casa, a tomar coragem e comprar suas passagens divididas em 12 vezes no cartão (outro, não o que você vai levar pra viagem).

* Roupas e acessórios

O vestido mais caro que comprei custou exatos US$ 19 na Zara, já em Chicago. Em Nova York você só gasta muito se quiser. Sim, dei sorte e peguei liquidações de 4 de Julho, mas a maioria das coisas que comprei normalmente já teriam esses preços em outras ocasiões.

- Macy’s. Oito acessórios por US$ 35. Brincos, colares e anéis.  O mais caro custou US$ 10, o mais barato saiu a US$ 3.  Não se intimide com o tananho da loja e fuce as prateleiras de cacarequinhos. Dica:  marcas famosas de jeans sempre estão em oferta. Vi short boyfriend Calvin Klein a US$ 24 e calça Levi’s a US$ 29,90. Obviamente nada que coubesse na minha bunda imensa tamanho 42, mas se você vestir 38 é molezinha encontrar.  Macy’s:  51 West 34th Street.

- Uniqlo. A loja de origem japa (atenção aos tamanhos nas etiquetas, o padrão de várias roupas é japonês) tem ofertas diárias. Bom, pelo menos quando lá estive. Saldo: dois vestidos a US$ 15,50 cada e outro vestido por US$ 14,90 (que custava US$ 29 antes, vale ressaltar). Uniqlo: 546 Broadway

- Buffalo Exchange. Pesquisando no site da New Yorker achei o Buffalo Exchange, brechó bacaninha no Brooklyn. Vale MUITO a ida. Embaixo, um brechó mais brecholento ainda. Não se engane, o Buffalo é na portinha do lado, subindo uma escadinha. Organizadíssimo: araras com roupas divididas por tipo – saias, vestidos, casacos… Saldo do dia: um vestido a US$ 10, uma camisetinha a US$ 5 e uma camiseta para o namorado a US$ 8. Buffalo Exchange: 504 Driggs Avenue, Brooklyn.

- Beacon’s Closet. Famosérrimo, não tem como não ir. Mas fica a dica: é longe pra caceta. A pé, no sol, é quase um oásis no meio do deserto. Andar do metrô até lá é meio complicado. Achar táxi no Brooklyn também. Mas vale a ida. É imenso. Só a parte dos vestidos tem o tamanho praticamente de um quitinete. Estava sem paciência para experimentar muita roupa, então comprei um vestido a US$ 10 e uma saia balonê (pois é) a US$ 11.

- Fred Flare. O mais importante sobre a Fred Flare é que ela fica na Meserole Avenue, e não na Meserole Street. Não cometa o mesmo erro que eu cometi, sim? A loja, que BOMBA na internets, é pequenininha. As roupas, sinto informar, são caras. Mas se você ama cacarecos, se jogue. As vendedoras são simpaticíssimas. E dali é pertinho encontrar o metrô. Comprei uma bolsa-carteira Hello Kitty a US$ 28 (tá, foi um luxinho dispensável, mas amo bolsas de Hello Kitty), um Domo a US$ 12 pro namorado, uma camiseta a US$ 9,90 pro namorado, uma camiseta a US$ 5 pra mim e mais uns cacarequinhos que não passaram de US$ 3 (lencinhos com cheiro de cupcake, uma mini-matrioshka, uma caixinha de balas com a inscrição “We met on Facebook”).  É pertinho do metrô e Brooklyn é fundamental, assim como Gottardo *piadainterna*, mas se você estiver com preguiça compre online e mande entregar onde você estiver hospedada, a loja virtual é tão bem fornida quanto a física.

Fico devendo as fotos das aquisições e a parte 2 das dicas. Gente, é pobrinho mas é de coração, tá? É que as amicas me pediram tanto as minhas impressões de jovem descapitalizada que me sinto na obrigação de prestar contas para a sociedade.

Você não está obesa, mas também está bem longe de ser magra. Você acha que passou da idade de usar baby looks e blusinhas coladinhas no corpo. Você também acha que parecer piriguete aos quase 30 anos é um pouco demais.

Aí você compra uma blusinha larguinha. Se anima e usa um vestidinho com legging, ou uma batinha com calça jeans. E automaticamente todos os olhares se voltam para a sua barriga. Reação automática ideal: “não estou grávida, estou gorda mesmo”. Resposta automática ideal: “imagina, você tá ótima! Uma gracinha essa batinha”.

Alerta ligado: quando alguém diz “uma gracinha essa batinha” pode ser sinônimo de…

1. “Continuo achando que essa blusa larguinha é para disfarçar a pança”

2. “Hmmm… Achei cafona, tá uma vibe Citycol”

3. “Você tá mesmo parecendo grávida, eu tô só tentando disfarçar o constrangimento pela situação, não se engane”

4. “Sou magra e não preciso dessas artimanhas, mal aí, flagrei sua intenção”.

Mas qual o problema da blusa larguinha? Também tem gente magra que usa, não tem? Ou eu sou obrigada a usar calça jeans, blusa certinha no corpo e ficar encolhendo a barriga o dia inteiro? Porque convenhamos: melhor usar um vestidinho ou uma batinha do que sair por aí embalada a vácuo e parecendo um salaminho.

E se alguém perguntar se eu estou grávida eu fecho a cara e digo que estou gorda, nem que perca um lugar no ônibus por isso.

UPDATE: No Twitter, a querida Rach Mattos dá o serviço. “melhores lugares pra comprar blusas larguinhas mas que não parecem de grávida: checklist e dress to.” Na Dress To eu compro pouco, na Checklist já comprei muito! Os vestidinhos são ótimos também.

Dia desses fui a São Paulo a trabalho e comprei uma revista motivada pela chamada. Há quantos anos não fazia isso? Provavelmente quando parei de comprar a Capricho, mas tudo bem. A manchete falava algo sobre “tem 30 anos e não conseguiu tudo na vida? Você não é uma fracassada” (você pode ler aqui, ó, é só clicar).

A repercussão da matéria entre as meninas que conheço – que não são mais tão meninas e que estão aqui e em todo lugar – me fez pensar (como se eu não pensasse nisso sempre) sobre essa nossa condição. Aí vejo canais de TV querendo investir em “mulheres entre 25 e 34 anos” e penso “esses caras tinham que ver um dia das nossas vidas”.

Você quer escrever mais no blog, mas não tem tempo. Quer viajar mais e comprar mais coisas, mas não tem dinheiro. Quer ler mais, mas tem sono. Quer ganhar dinheiro com suas ideias, mas não tem tempo,  porque está ocupada (não) ganhando dinheiro.  Quer se dedicar mais ao trabalho, mas tem sono e não tem tempo porque (adivinhe!) o trabalho já ocupa boa parte dele.  Você também quer se dedicar mais à casa, à cozinha, ao forno, ao fogão, ao namorado, aos animais de estimação, às séries de TV e aos shows e aos lugares legais que abrem na cidade e a jogos de tabuleiro e aos amigos e…  aí, Brasil, comofas?

Não é possível que isso aconteça só comigo. Será que eu sou louca? Com vocês também é assim? Como vocês dão conta das suas vidas e realizam tudo o que querem e precisam? Vocês dão conta de tudo? Se ressentem de estarem beirando os 30 sem estarem como imaginavam? (Eu não me ressinto, só queria que algumas coisas fossem mais fáceis, nem precisava ser molezinha)

Tá, estou devendo as dicas de Nova York até hoje (estão caducando nos drafts), mas precisava ter esse momentinho “não sou só uma máquina de escrever posts ou matérias”.

Poeira espanada, enquete feita, voltemos à programação normal!

PS:  Só um adendo sobre a tal matéria: as personagens eram todas lindas e bem-sucedidas e o efeito foi exatamente o contrário. Quando a pessoa mais  loser é sócia de uma produtora, oi? Tem algo errado. Taí o #fail do mês.

Vocês pediram (ou não). O Manual da Jovem Descapitalizada foi um sucesso entre seu público-alvo – mulheres que, assim como você, jovem amiga dona de casa, precisam cantar, dançar e sapatear para pagar suas contas. Mas e se você quiser viajar? E se você achar que tem o direito de ter férias como o resto do mundo? E se você estiver cansada de usar esse dinheiro, vender 10 dias, pedir adiantamento de parcela de 13o salário só para pagar dívidas, sair do cheque especial e estar no negativo de novo três meses depois? Não é melhor, então, usar esse dinheiro para fazer algo por você, já que as dívidas – assim como os diamantes – são eternos? É para isso que damos continuidade a série.

Live from New York, it`s Saturday Night Live! Opa, errei a segunda parte. Mas a primeira é verdade. Estou em Nova York com Diego Maia, amigo muito querido e muito fino, e aos pouquinhos vou contando sobre as melhores pechinchas que encontrei aqui para que você, amiga dona de casa, acredite que também pode se jogar na classe econômica de um 777 lotado. E como já dizia Frankie, if I can make it there, I can make it anywhere. Aguardem, tudo está sendo devidamente apurado pelos nossos computadores e sua ligação é muito importante para nós.

(Mas se vocês querem um relato pormenorizado do nosso primeiro dia, cliquem aqui que o Diego já fez o serviço!).

Junho de 2004: uma banda como tantas outras lançava seu primeiro CD com um pocket show na Fnac de Callao, em Madrid. Enquanto isso, uma jovem repórter passava suas férias na Espanha. A jovem repórter era eu. A banda era a Lori Meyers. Formado por quatro rapazes de Granada – Miguel, Alejandro, Noni e Alfredo – , o grupo reuniu uns 20 curiosos (e duros, já que o show era de graça) num fim de tarde. “Viaje de estudios”, o tal CD, era de uma delicadeza incrível. Duvida? Escuta aqui “Tokio ya no nos quiere”.

Daí que no fim do show, claro, comprei o CD e fui bater um papo com Noni, o vocalista. Na cara de pau mesmo, néam. Disse que era jornalista e que morava no Brasil. “No Brasil? Que bacana! Temos vários amigos em São Paulo, você mora perto?”. Achei graça e me despedi.

Corta. 2010, Noni e os meninos não pararam. Depois de “Viaje de estudios”, veio “Hostal Pimodán” – que tinha um clima um cadinho mais adulto. Mais um capítulo na eterna saga por referências: o nome do CD remete diretamente ao Hotel Pimodán, citado por Baudelaire em “Paraísos artificiais”, “a kind of solitary oasis”. E depois de “Hostal Pimodán” veio “Cronolanéa”. E agora veio “Cuando el destino nos alcance”, lançado nesta semana na mesma Fnac de Callao com um mesmo pocket show, onde eu espero que outra jovem repórter de férias tenha ido para depois poder passar essa pérola adiante.

(Se eu fosse você, para entender mais sobre Lori Meyers, ouviria “Dilema”, do “Hostal Pimodán”, ou “Luciérnagas y mariposas” , do “Cronolanéa”. Mas minhas preferidas são outras duas do primeiro CD: “Ya los sabes” e “Viaje de estudios”, com um dos climas juvenis mais felizes do mundo. E “Mujer esponja”? Difícil escolher)

Agora o quarteto virou um sexteto, com a efetivação de Miguel e Antonio, que já trabalhavam com a banda e foram, como dizer, promovidos. E o CD novo, dizem, tem um toque meio retrô, meio futurista. Em entrevista à Europa Press, Noni disse que suas influências vão de Beach Boys a Sonic Youth.  Comentou que começou a tocar aos 18 anos, e que agora tem 28. E falou, claro, sobre a indiezice – tá achando que é só aqui que perguntam sobre isso?  Tolinho. ” ‘Indie’ é o grupo que é independente das fórmulas radiofônicas ou do que os outros estejam fazendo. Ser ‘indie’ é quando te dizem como fazer as coisas e você responde ‘creio que tenho a capacidade de saber fazer como eu quero’”.

Ah, uma das faixas do novo CD é “Explica-me”, que você pode ouvir clicando bem aqui, ó.

PS: O motivo do sumiço está bem aqui, no Blog de Aguinaldo Silva.

Você quer uma vida de glamour. Você quer frequentar os bares e restaurantes bacanas, você quer estar sempre linda e bem vestida. Mas seu saldo bancário não permite. Se você também gasta metade do seu salário pagando juros do cartão de crédito ou do cheque especial, junte-se a nós. Você também precisa do Manual da Jovem Descapitalizada.

Esse é um estilo de vida para poucas, obviamente. A maioria das jovens descapitalizadas acaba faniquitando ou tendo um treco depois de seis meses de telefonemas semanais do banco de sua preferência. Mas você, mulher guerreira, batalhadora, menina-moleca (opa, perdão), que é obrigada a cantar, dançar, sapatear e esmolar para pagar suas contas e ainda ter uma vida social, sabe que não pode se dar ao luxo de ter surtos. O que fazer nestes casos?

1. O cheque especial é seu melhor amigo. Encare o cheque especial como um segundo salário, ou melhor, como o salário que você deveria receber todo mês, se vivêssemos em um mundo justo. Perca o medo de ficar no vermelho. Acostume-se: se um dia você casar ou tiver filhos, essa provavelmente vai ser sua vida por mais uns… 20 anos?

2. Cartão de crédito: use enquanto puder. Um dia, muito em breve, a fonte vai secar. Mas tente não pensar nisso. Quando a fatura vier, passe o resto do ano pagando.

3. Contas, ah, as contas. Algumas são implacáveis: luz, gás, Net. Se você não quiser ser supreendida com uma ducha fria pela manhã ou pelo moço que vem sem aviso buscar seu decodificador, priorize estas contas. O resto você empurra com a barriga. Ahn, sim: pague o aluguel no dia em que seu salário entrar. Isso evita que, no dia 5, você perceba que não tem nem mais um centavo.

4. Saídas, festas e afins: uma vez por semana já está bom demais. Parta do princípio que você vai gastar, por baixo, R$ 40 (com o táxi da volta para casa). Pois é. Doeu no meu bolso também.

5. A dureza é a maior razão da pirataria virtual. Você, jovem descapitalizada, vai gastar R$ 18 num ingresso no cinema com a internet a sua disposição? Não é apologia, veja bem. É dureza mesmo.

6. Você quer viajar? Não espere as condições normais de temperatura e pressão. Cate o dinheiro das férias, venda 10 dias, junte o adiantamento do 13 salário e vai na fé. Claro que você vai passar uns dois anos pagando suas dívidas, mas vai dizer que não vale a pena?

7. Não tenha vergonha da sua condição de jovem descapitalizada. Acredite que você, um dia, ainda vai dar muito certo na vida e retribuir em dobro todos os favores que seus amigos lhe prestaram. Tenha CERTEZA disso. Ninguém é duro impunemente. Digamos que é na dureza que se aprende a se virar com o que se tem.

8. Se virar com o que se tem inclui usar o que se tem no armário, já que compras, né? Se ainda assim precisar gastar, já que aquela blusa de 1999 tá começando a rasgar debaixo do braço, desenvolva sua visão raio-x – aquela que detecta peças boas E em promoção na mesma arara.

9. Seja Pollyanna: ser dura emagrece (ou pelo menos deveria). Sem dinheiro você não vai ter como pedir pizza todo dia, por mais que a pizzaria da esquina seja superbarata.

10. Se nada mais der certo, engula o orgulho e grite sua mãe. Se ela não puder ajudar financeiramente, pelo menos vai te consolar. Sempre.

Foto de Rogério Resende, do site do GNTQuando eu era mais nova e sentia falta de saber cozinhar, minha mãe sempre dizia que microondas existia para isso. E contava uma história muito ilustrativa: já casada, quando se deparou com um frango pela primeira vez, caiu no choro. Sim, pela total inabilidade para limpar o penoso e prepará-lo decentemente.

Hoje minha mãe canta, dança e sapateia – opa, essa sou eu. Ela prepara entradas, pratos principais e sobremesas muito bem, apesar de dizer que só aprendeu meia dúzia de receitas para enganar a quem for necessário. Mas eu também choraria de pânico diante de um frango. Meus dotes culinários se resumem a macarrão, molho de cachorro quente e torta alemã. Claro que os três são muito bons, mas enfim, não constituem uma refeição completa. Não sei fazer uma feira e até hoje meu padrasto  e sua linha de pensamento medieval dizem que minha mãe não me preparou para casar (e neste momento não sei se meu namorado chora de tristeza ou alegria, heh).

Enfim, todo esse nariz de cera – aqui eu posso, dá licença? – para dizer como me chocou “Que marravilha!”, novo programa do chef Claude Troisgros que estreia nesta quinta-feira, às 22h, no GNT. Tive a chance de ir a um almoço-coletiva de lançamento do programa, há algumas semanas, e fiquei impressionada com o fato de que cozinhar parece TÃO fácil. No primeiro episódio, que vai ao ar hoje, uma mocinha chamada Paula, moradora de Copacabana, só prepara… macarrão e cachorro-quente. A irmã, recém-chegada da Alemanha, reclama horrores. E eis que Paula decide aprender a fazer um bobó de camarão. No almoço, ela e Claude prepararam, mais uma vez, o tal do bobó. Claro que o camarão já estava limpo e o caldo pronto, mas ainda assim, fazer um prato desses em meia hora é meio assustador. Tudo pareceu tão fácil, tão intuitivo, tão simples, que eu me senti uma tonta por não saber cozinhar.

Corta. Aí temos minha amiga Joana, que por trabalhar onde Judas perdeu as botas começou a cozinhar seu próprio almoço. Em um encontrinho de amigos ela foi capaz de fazer minikebabs em questão de minutos. Mais um choque. Leio as receitas de Joana – neste blog sensacional aqui, ó, chamado Coentro – e continuo embasbacada. Isso não pode ser assim tão fácil. Fato que vou bater ponto vendo o “Que marravilha!” (e vendo Joana preparar seus quitutes) pra ver se um dia tomo coragem ou vergonha na cara mesmo.

“Telephone”, clipe-viagem-muito-louca da igualmente pirada Lady Gaga, tem algo que acho fundamental em tudo na vida: referências.  Tentei contar – tentei e parei, depois de reconhecer algumas coisas e entrar numas de querer reconhecer TUDO ali.

Oquei. Corta. Gaga, performática que só ela, não está sozinha nessa. Igualmente empenhado em unir visual e música no palco – e nos vídeos – , um sujeito chamado Dan Black foi responsável pela minha última piração em busca de referências, coisa que só Rah-rah-ah-ah-ah! Roma-Roma-ma-ah! Ga-ga-ooh-la-la! tinha feito por mim recentemente (e que Tarantino faz desde sempre com a minha pessoa). Nunca tinha ouvido falar do sujeito – desculpem a ignorância, cansei de ser indie em 2006 e nem na internet tinha reparado no maluco. Britânico, ex-integrante do The Servant (ah, The Servant eu conhecia!), Dan ganhou o topo das paradas depois que “U+me” foi disponibilizada para download gratuito no iTunes como a música da semana na Grã Bretanha.  Em 2008, ele tinha chamado a atenção com uma versão/mashup de “Hypnotize”, do finado Notorious B.I.G, com “Umbrella”, de Rihanna.

Daí que em julho do ano passado Dan lançou seu primeiro CD solo – aqui você pode ouvir todas as músicas, by the way. E o single é “Symphonies”, com a mesmíssima batida de “HYPNTZ”. Claro que bombou. Tanto que uma outra versão, com a participação do rapper Kid Cudi, também foi incluída como faixa-bônus no CD de Dan. Você pode não gostar da música. Mas se gostar de cinema vai enlouquecer – como eu. Sci-fi, suspense, cinema francês: quase todos os estilos ganham uma representação no vídeo, que remete diretamente às aberturas e aos pôsteres dos longas. Imperdível. Porque só estou comentando isso agora? Ué, só agora vi o clipe! Que pergunta.

Para ver a versão sem Kid Cudi, clique aqui. E para ver o vídeo com a participação do sujeito, clica aí embaixo!

Como sempre faço quando estou atrasada para os plantões mensais na firma, peguei um táxi faltando 10 minutos da hora em que deveria me apresentar na redação (lamentando, obviamente, os R$15 que gastaria ao fim da corrida). Bati a porta do carro e tive a impressão de que o sujeito não me era estranho. Depois, pelo tom agressivo da conversa, lembrei que era o mesmo taxista que uma vez foi de Copacabana à Cidade Nova reclamando de alguma coisa que não lembro bem. Enfim, digressiono.

Passamos por um jipe cheio de gringos, a caminho da agora pacificada Ladeira dos Tabajaras.

- Olha os gringos ali! Agora ficam procurando favela pra conhecer. Eu é que não pego essa gente. Eles não entendem que existe tabela. Aí ficam discutindo e só querem pagar o que tá no taxímetro.

- Pois é, mas é que eles leem nos guias antes de vir para cá que só vale o que está no taxímetro, lá fora o Rio tem fama de ter muito táxi pirata, né?

- Não pego e digo mais: se achar carteira ou coisa de gringo no meu carro, não devolvo. Já parei em delegacia por causa disso. Fui ajudar e disseram que eu tinha roubado! Esses fedorentos no meu carro não entram.

Continuamos a corrida. Daí ele me pergunta se sou jornalista. Fico sem jeito de dizer que não e confirmo.

- Desculpe a indiscrição, mas quanto ganha um jornalista? Quanto a senhora ganha?

Sem graça, achei por bem generalizar.

- Depende do cargo, moço. Chefe ganha mais, mas repórter, assim, sem ser recém-formado, que já trabalha há um tempinho, pode ganhar entre R$ 2 mil e R$ 2,8 mil.

- Filha, só de conta eu pago DOIS MIL E QUINHENTOS REAIS. Tiro por mês cinco, seis mil. Era faxineiro de um prédio em Copacabana, o síndico me demitiu, fiz questão de comprar apartamento lá. E de frente, melhor que o dele. Tem que me aturar!

Fico com uma certa cara de bunda pensando que não rodo pela madrugada nem corro o risco de botar malandro no meu carro, mas que ainda assim engulo tanto sapo quanto ele – quer dizer, não ele, que não guarda a língua na boca. Ainda tenho tempo para ouvir um último conselho:

- Filha, muda de vida enquanto é tempo. Faz um concurso público. Você é muito bonita e simpática pra ser jornalista.

Que eu tenho fixação por diálogos todo mundo sabe – aliás, taí o que eu realmente queria fazer da vida. Daria um dedo – tá, exagero, daria os vestidos do meu armário – pra ter sido uma das roteiristas de “House” ou “Gilmore girls”, melhores diálogos EVAH na minha mais que humilde opinião.

Daí fui dar uma olhada no Raios Triplos , dos amigos Calazans, Eusébio e Silvio e vi um que eu queria MUITO ter ouvido:

Na Rua Humaitá.
Ele: Você tem cachorro?
Ela: Não, graças a Deus.
Ele: Graças a Deus.
Ela: Só um papagaio, quatro periquitos e um canário.
Ele: E não suja muito não?
Ela: Não, pode limpar a gaiola dia sim, dia não. Mas se não der comida, o papagaio fica doido e começa a repetir: “Mãe? Chegou, mãe? Mãe!”

Humaitá, né, Calaza anda de ônibus fino. Os meus são a freakoland mermo.

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