Steve Carell e o fim do mundo

fimdomundoDia desses estava catando alguma coisa para assistir e lembrei – lembramos – que havíamos gravado “Seeking for a friend for the end of the world”. Queria ter visto esse filme numa das incontáveis viagens para Los Angeles nos últimos anos, mas simplesmente não rolou.

Dia desses um amigo perdeu um grande amigo. A gente, que não se encaixa nos padrões, passa a vida inteira tentando pertencer (“ser é ser percebido”, valeu Berkeley) e, depois de muito tempo, acha sua casa no outro. É como se todo momento de humilhação e de bullying e de vergonha por ser quem se é tivesse valido a pena, porque nos levou até esse momento em que essa pessoa, que parece com você, que entende você, está ali na sua frente.

E aí a vida vai e muda tudo. E aí só consigo pensar no Steve Carell.

Com o mundo perto do fim, a personagem da Keira Knightley diz que está com medo, e que eles deveriam ter se conhecido antes, deveriam ter se conhecido na infância, que o tempo dos dois juntos foi muito pouco.

E Steve Carell responde, tranquilo: “Todo o tempo do mundo teria sido pouco”.
Todo o tempo do mundo sempre vai ser pouco. Acho que é bem por aí.

Eu não quero ser Frances Ha

Há uns meses, um amigo me recomendou um filme a que ele havia acabado de assistir no cinema.

- Você tem que ver Frances Ha, é a sua cara. O tipo de filme que você vai amar. E tem o Adam de Girls – disse.

Meses depois, o filme passou a fazer parte do acervo da Netflix. O assunto voltou à tona.

- Você precisa ver Frances Ha – recomendou uma outra amiga. – É sua cara.

Num sábado de chuva, resolvi assistir ao filme. E fiquei deprimida. Eu não quero ser Frances Ha.

Andy: So what do you do?

Frances: It’s complicated.

Andy: Is it because what you do is complicated?

Frances: No, it’s because I don’t do it.

Veja bem, eu adorei o filme. Meus amigos estavam certos, é o tipo de filme que eu gosto. Mas acompanhe meu raciocínio: Frances é uma jovem não tão jovem, um tanto desengonçada das ideias – não é por mal. Ela só pensa por caminhos diferentes. O objetivo de Frances é ser dançarina – vocação para a qual ela demonstra talento limitado, vamos dizer assim (não me sinto bem classificando personagens de filmes como incompetentes, não quero magoá-los). Por fim (alerta de spoiler – se não viu o filme pare aqui, se não liga para isso continue), Frances se rende à pressão social – e dela mesma – e desiste de ser dançarina. Aceita um emprego na área administrativa do estúdio de dança no qual era aprendiz. Acaba se tornando uma coreógrafa. Mas dançar, que é bom, ela não dança.

Eu não quero ser Frances Ha, e é por isso que pela milionésima vez estou aqui.

francesha

A lista definitiva dos clichês

Tudo bem, a lista é antiga. Mas de vez em quando ela volta – afinal, o cinema muda, a TV idem, mas algumas frases começam a se repetir mais e mais. Tudo começou com o roteirista britânico Kevin Lehane. Em seu blog, ele listou as 111 frases mais clichês de todos os tempos de todos os roteiros. A saber, as 10 primeiras:

  1. I was born ready.
  2. Are you sitting down?
  3. Let’s get out of here!
  4. _____ my middle name.
  5. Is that all you got?
    I’m just getting started.
  6. Are you thinking what I’m thinking?
  7. Don’t you die on me!
  8. Tell my wife and kids I love them.
  9. Breathe, dammit!
  10. Cover me. I’m going in.

Só que, como as pessoas trabalham, cantam, dançam e sapateiam, Kevin desistiu da vida de blogueiro. E aí Scott Myers, do Go Into the Story, passou a hospedar a lista – já com 120 itens – e ainda acrescentar mais algumas pérolas. Hoje, são 131 frases no rol oficial, incluindo o cada vez mais clássico that’s what she said (muito em voga em tempos de bromances e comédias ligeiramente escatológicas).

A curiosidade: a lista foi postada originalmente em 2010. E até hoje, 3 anos depois, leitores ainda sugerem clichês nos comentários.

Tá tudo aqui, ó. Divirta-se.

PS: Meu clichê preferido de todos esses: “Follow that car!”. Bom, esse eu já tive a oportunidade de dizer. Na vida real mesmo. Um sonho: gritar “parem as rotativas!” antes que elas sejam extintas.

Referências são tudo na vida

“Telephone”, clipe-viagem-muito-louca da igualmente pirada Lady Gaga, tem algo que acho fundamental em tudo na vida: referências.  Tentei contar – tentei e parei, depois de reconhecer algumas coisas e entrar numas de querer reconhecer TUDO ali.

Oquei. Corta. Gaga, performática que só ela, não está sozinha nessa. Igualmente empenhado em unir visual e música no palco – e nos vídeos – , um sujeito chamado Dan Black foi responsável pela minha última piração em busca de referências, coisa que só Rah-rah-ah-ah-ah! Roma-Roma-ma-ah! Ga-ga-ooh-la-la! tinha feito por mim recentemente (e que Tarantino faz desde sempre com a minha pessoa). Nunca tinha ouvido falar do sujeito – desculpem a ignorância, cansei de ser indie em 2006 e nem na internet tinha reparado no maluco. Britânico, ex-integrante do The Servant (ah, The Servant eu conhecia!), Dan ganhou o topo das paradas depois que “U+me” foi disponibilizada para download gratuito no iTunes como a música da semana na Grã Bretanha.  Em 2008, ele tinha chamado a atenção com uma versão/mashup de “Hypnotize”, do finado Notorious B.I.G, com “Umbrella”, de Rihanna.

Daí que em julho do ano passado Dan lançou seu primeiro CD solo – aqui você pode ouvir todas as músicas, by the way. E o single é “Symphonies”, com a mesmíssima batida de “HYPNTZ”. Claro que bombou. Tanto que uma outra versão, com a participação do rapper Kid Cudi, também foi incluída como faixa-bônus no CD de Dan. Você pode não gostar da música. Mas se gostar de cinema vai enlouquecer – como eu. Sci-fi, suspense, cinema francês: quase todos os estilos ganham uma representação no vídeo, que remete diretamente às aberturas e aos pôsteres dos longas. Imperdível. Porque só estou comentando isso agora? Ué, só agora vi o clipe! Que pergunta.

Para ver a versão sem Kid Cudi, clique aqui. E para ver o vídeo com a participação do sujeito, clica aí embaixo!

A listinha sem fim de músicas do Nick e da Norah

A amiga bagaceira, a gostosinha nojentinha, o indie gatinho e vilipendiado, o amigo gay, a gatinha-que-não-se-acha-gatinha-mas-que-é-toda-certinha: tá tudo lá em “Nick e Norah: uma noite de amor e música”, filme que saiu, claro, direto em DVD por aqui. O livro, que foi lançado em 2008 pelo Galera Record (selo jovem e muito bem executado da Record), já era uma fofura. Referências, referências, referências: sou viciada nisso. E o livro já era cheio delas.
Vi o filme com um certo atraso, mas ainda vale comentar. Galera por aí tem implicância com clichê. Oi, clichê é bom quando é bem feito. E aí a gente volta pro começo desse post: a amiga bagaceira, a gostosinha nojentinha, etc etc etc, que existem aos borbotões por aí são TOTALMENTE verossímeis no filme. Para quem não viu: Nick (Michael Cera, que é ótimo e uma graça, mas que faz papel de Michael Cera, mal aí) toca numa banda e grava pencas de CDs para a namorada, Tris. Ah, sim: isso mesmo depois de um belíssimo pé na bunda. E quem poderia culpá-lo, néam. Exceto pelo fato da menina ser um clone mal rascunhado das gêmeas Olsen, mas oquei, ainda bem que gosto não se discute.
Vou tentar resumir e me segurar para não contar a história nas minhas palavras (amo muito uma sinopse). Nick esbarra com Norah (Kat Dennings, mais bonita na tela do que em fotos) e rola um clima e coisa e tal. Nesse meio tempo, tem um show secreto da melhor banda de todos os tempos da última semana, a pinguça sai vagando por aí, e a galere toda tenta encontrar as duas coisas (a apresentação da tal banda e a maluca trêbada). Bom, até aí tudo bem, “comédia romântica adolescente”, você já meteria o carimbo. Não é bem por aí. É coisa de gente normal, saca? Sem piadas sexistas ou escatológicas. É filme de gente que sofre com pé na bunda, gente que resolve correr atrás do ex só porque está com ciuminho, gente que enche a cara e vomita em locais impróprios. E eu nunca tinha ouvido falar do diretor, Peter Solett – me processem, meu sobrenome ainda não é Google, apesar da memória de paquiderme.

Contrariando minha condição de repórti, deixei o lead pro final. A trilha sonora é o que há. Nem tinha como ser diferente. No original, o filme é “Nick and Norah’s infinite playlist”. MAS É CLARO que tem coisa muito boa ali. Bishop Allen (assistam “Admiração mútua”, passou no Festival do Rio de 2006, e depois voltem aqui), We Are Scientists, Shout Out Louds, Vampire Weekend. Sim: indie feelings, abs. O trailer não faz justiça ao filme, mas vá lá: clica aqui pra uma provinha.

10 filmes que a TV a cabo sempre reprisa (e a gente sempre vê)

Não sei vocês (adoro começar qualquer coisa com isso, dá uma sensação BONITA de diálogo), mas quando a NET chegou à minha casa eu antevi novos tempos. Tempos em que eu seria mais feliz e iria menos à locadora. Bom, à locadora eu já não iria mesmo, com medo de pagar uma multa gigantesca (longa história). Mas enfim, achei que não precisaria fazer ficha em outro lugar. E antes que vocês, espertões, me digam que eu poderia BAIXAR o filme que eu quisesse, lembro a todos que, apesar de ter uma conexão decente, meu computador só falta ter RODAS para ser uma carroça.
Portanto, achava que a NET mudaria minha vida, sabe? No primeiro mês foi uma maravilha. Depois comecei a entender a sistemática de reprises em TODOS os canais Telecine e aí passei a viver um DRAMA: ver filme repetido. Claro que “Alien Vs. Predador” e “O ultimato Bourne” eu sempre passo – o primeiro por ser inclassificável (nem na categoria “ruim demais”entra), o segundo porque néam, Matt Damon é gatinho, mas já deu. Next. Mas e os filmes que não são bons (no sentido de serem unanimidade), mas também não são ruins, e que servem como uma boa trilha sonora pra acompanhar aquela molezinha no sofá, aquele papinho ao telefone, aquele pacote de Doritos de pernas pro ar? Aquele filme que você começa a assistir porque não está fazendo nada e, quando vê, já passou três horas em frente à TV? Pois…
(“Sessão da Tarde” está de fora por um motivo simples: passa em horário comercial e eu trabalho, duh)

Minha lista de filmes que a TV a cabo sempre reprisa (e eu SEMPRE assisto). Atenção.

1. “Ligeiramente grávidos”. De janeiro pra cá, já vi SETE vezes. Motivo um: Seth Rogen. Motivo 2: Judd Apatow. Motivo 3: Seth Rogen (e digo isso num looping infinito)
2. “Minha mãe quer que eu case”. Já contabilizei 5 ou 4 assistidas. Motivo: filme de mulherzinha com dois caras LINDOS, mãe que liga o tempo todo, irmãs que fazem teleconferência (não perguntem).
3. “Queridinhos da América”. Esse é o clássico dos sábados no VH1. Motivo: John Cusack. Não preciso explicar mais.
4. “Meninas malvadas” (“Mean girls”, é assim que traduziram mesmo?). Não lembro o canal, mas é Warner ou algo do tipo. Motivo 1: Lindsay Lohan no auge. Motivo 2: bitchness makes the world go round. ADOURO.
5. “Como se fosse a primeira vez”. Também não lembro o canal. Motivo: Drew Barrymore. Quem não gosta dela chega aqui pra tomar um peteleco merecido. Musa. E ainda faz aniversário no mesmo dia que eu.
6. “Moça com brinco de pérola”. Outro que repete a beça, especialmente de madrugada, quando você chega da NÁITE e quer se jogar no sofá, ligar a TV e ver algo que dê SONO. Motivo 1: dá sono. Motivo 2: Scarlett Johansson vestida dos pés a cabeça. Também dá sono.
7. “O amor não tira férias”. Esse é clássico do Telecine. Sinopse: jornalista que só se dá mal no trabalho e na vida pessoal conhece um velhinho bacana da indústria do cinema e ainda pega um cara maneiro no final – e ela é a Kate Winslet. Jude Law é viúvo, rico e pai de duas crianças adoráveis – um vislumbre do mundo ideal. Ahn, e as duas moças trocam de casa numa boa e tudo dá certo. Ou seja: conto de fadas moderno. Bom para aqueles dias em que você está bem, não assista se estiver deprimido. Fica a dica.
8. “Escola do Rock”. Outro clássico de sábado, não lembro o canal, Warner ou Fox. Motivo: Jack Black kicking asses. Motivo 2: rock. Motivo 3: Jack Black (repito isso num looping infinito)
9. “De repente 30″. Mais um que não lembro o canal, mas que SEMPRE paro para ver. Motivo 1: Mark Ruffalo. Motivo 2: amo um dos vestidos que a Jennifer Garner usa, junto com o laço de fita na cabeça na cena em que ela vai encontrá-lo. Motivo 3: a cena em que TODOS dançam “Thriller”.
10. “Voando alto”. Taí um filme que eu acho subestimado. Quem leva a sério acha uó. Quem vê como uma grandessíssima e gigantesca PIADA se diverte LITROS. Não tem como não rir da cafonalha oitentista. Esse, aliás, vi hoje mesmo.

Pronto. Depois conto quais os filmes a TV a cabo sempre reprisa e eu NUNCA vejo. Heh.