Eu ainda tenho blog?

Funciona assim: você tem uma lista de coisas que te deixam muito feliz. Um blog, um tempo livre, um namorado querido, família idem, amigos idem,  suas músicas, seus livros, seus hobbies, aquele ponto de cruz, aquela vontade de brincar de invencionices na cozinha. E aí uma tsunami de trabalho e problemas/questões do cotidiano vem e te leva e te afoga e varre tudo do mapa – seu tempo, sua vontade, seu ânimo. Quando a maré fica baixa de novo você vê os estragos: cansaço, aflição, lama. Por que o tempo que você perdeu não volta mais.  E botar tudo nos eixos de novo demanda um certo esforço. Por que olhar o estado das coisas e pensar “por onde (re)começar a ter a vida que eu tinha?” é sempre meio complicado.

Você pensa nos telefonemas que não deu, nas visitas que não fez, nos médicos a que não foi, nos “estou com saudades” que você não disse. Você pensa no dia em que ficou até mais tarde no trabalho e deixou de ver aquele amigo ou chegou em casa e  mal conseguiu dar boa noite pro namorado e caiu imediatamente no sono, no domingo em que você estava tão cansada que não teve condições sequer de levantar da cama, quanto mais de pegar um ônibus e ver alguém. Você pensa nas coisas que quer fazer e não consegue, mesmo tendo esse “tempo livre” de volta. Ah, inércia, this heartless bitch.

Como para tudo tem um primeiro passo, lá vou eu dar o meu. “Eu ainda tenho blog?” é uma pergunta quase metafórica. “Eu ainda tenho vida?”. Tenho sim. Então bora ajeitar tudo isso que tá aí.

PS: Desculpem pelos furos nos últimos meses, prometo voltar a ser normal <3

Pode ficar deprimida?

Olha a Keiko LynnTem gente que ouve música triste e deprime. Tem gente que vê filme triste e deprime. Eu vejo fotos e me deprimo. Existe um nível de depressão, amigas donas de casa, que está acima da inveja, este sentimento tão mesquinho e mundano. Você não quer o que a pessoa tem: você observa, percebe que não está neste patamar e simplesmente admira, se inspira, parabeniza, deseja felicidades e pensa “Deus conserve”.

Tá, a sua avó usaria essa expressão, mas é que eu uso expressões do tempo de vovó mocinha mesmo, relevem. Enfim, digressiono. De tanto ver fotos às quintas-feiras (na Revista da TV temos uma coluna chamada “Tapete Vermelho”, com fofocas das estrelas de Hollywood e capas de revista e produções e red carpets lindíssimos, que fecha… sempre às quintas) consegui catalogar os tipos de depressão vigentes no mercado.

1. A depressão hollywoodiana. Essa é clássica. Basta entrar no Red Carpet Awards, ou na InStyle, ou ver as capas da Vanity Fair, da GQ ou da _____________ (insira aqui o nome da sua revista gringa preferida).  Você vê a Scarlett Johansson toda lânguida, a Natalie Portman toda graciosa, a Dianna Agron com um vestido lindo de morrer e você só consegue pensar… “ai, até deprimi, nem nascendo de novo e voltando 12 casas no tabuleiro chego nessa fase do jogo”. Mais uma vez, o tom não é de inveja. É de admiração. Na minha frente ninguém fala mal da Drew Barrymore, tá? Defendo como se fosse amiga de infância. Quem falar mal apanha. Mesmo quando ela me deprime.

2. A depressão intelectual. É quando você admira tanto uma pessoa que é gente que faz (nota mental: mais uma expressão entregadora de idade), mas tanto, que … adivinhem, se deprime. Tipo Sofia Coppola. Gênia. Deusa. Musa. Diva. Absoluta. Se algum dia eu escrever alguma coisa que nem esta mulher talvez eu me deprima menos vendo os filmes incríveis que ela fez e que eu amo absurdamente. Enquanto isso… Sofia Coppola me deprime.

3. A depressão next door. Essa é a que por vezes evolui para a inveja. Amigas donas de casa, não, eu disse não caiam no lado negro da força. Não se deixem levar por este sentimento mesquinho. Admirem e aprendam. Minha depressão next door atende pelo nome de Keiko Lynn. É sério. Experimente dar uma olhada no blog da menina. Que roupas lindas! Que make incrível! Que Brooklyn maravilhoso e reluzente no fundo das fotos!  Sério, juro que dá até vontade de levantar, malhar, economizar dinheiro e comprar mais roupas. Rapidamente e obviamente a vontade passa e me atenho ao que posso fazer de maneira mais imediata: me maquiar e pensar em encontrar uma boa costureira no Rio, isso sim.

Descapitalizada nos States, mas comprando – parte I

Viajar já estoura qualquer orçamento. Quando ele é apertado então, nem se fala. Fui para Nova York com o mantra “não vou gastar muito” na cabeça, mas é impossível (até pela quantidade de pechinchas encontradas). Taí a fatura do meu cartão de crédito e minha conta bancária que não me deixam mentir.

Mas ainda assim uma vida de semi-glamour é possível. Munida de disposição e pouco dinheiro, bati perna por Nova York e tentei garimpar o que havia de bom, bonito e barato. Acho que consegui. Espero que essas dicas ajudem você, amiga dona de casa, a tomar coragem e comprar suas passagens divididas em 12 vezes no cartão (outro, não o que você vai levar pra viagem).

* Roupas e acessórios

O vestido mais caro que comprei custou exatos US$ 19 na Zara, já em Chicago. Em Nova York você só gasta muito se quiser. Sim, dei sorte e peguei liquidações de 4 de Julho, mas a maioria das coisas que comprei normalmente já teriam esses preços em outras ocasiões.

- Macy’s. Oito acessórios por US$ 35. Brincos, colares e anéis.  O mais caro custou US$ 10, o mais barato saiu a US$ 3.  Não se intimide com o tananho da loja e fuce as prateleiras de cacarequinhos. Dica:  marcas famosas de jeans sempre estão em oferta. Vi short boyfriend Calvin Klein a US$ 24 e calça Levi’s a US$ 29,90. Obviamente nada que coubesse na minha bunda imensa tamanho 42, mas se você vestir 38 é molezinha encontrar.  Macy’s:  51 West 34th Street.

- Uniqlo. A loja de origem japa (atenção aos tamanhos nas etiquetas, o padrão de várias roupas é japonês) tem ofertas diárias. Bom, pelo menos quando lá estive. Saldo: dois vestidos a US$ 15,50 cada e outro vestido por US$ 14,90 (que custava US$ 29 antes, vale ressaltar). Uniqlo: 546 Broadway

- Buffalo Exchange. Pesquisando no site da New Yorker achei o Buffalo Exchange, brechó bacaninha no Brooklyn. Vale MUITO a ida. Embaixo, um brechó mais brecholento ainda. Não se engane, o Buffalo é na portinha do lado, subindo uma escadinha. Organizadíssimo: araras com roupas divididas por tipo – saias, vestidos, casacos… Saldo do dia: um vestido a US$ 10, uma camisetinha a US$ 5 e uma camiseta para o namorado a US$ 8. Buffalo Exchange: 504 Driggs Avenue, Brooklyn.

- Beacon’s Closet. Famosérrimo, não tem como não ir. Mas fica a dica: é longe pra caceta. A pé, no sol, é quase um oásis no meio do deserto. Andar do metrô até lá é meio complicado. Achar táxi no Brooklyn também. Mas vale a ida. É imenso. Só a parte dos vestidos tem o tamanho praticamente de um quitinete. Estava sem paciência para experimentar muita roupa, então comprei um vestido a US$ 10 e uma saia balonê (pois é) a US$ 11.

- Fred Flare. O mais importante sobre a Fred Flare é que ela fica na Meserole Avenue, e não na Meserole Street. Não cometa o mesmo erro que eu cometi, sim? A loja, que BOMBA na internets, é pequenininha. As roupas, sinto informar, são caras. Mas se você ama cacarecos, se jogue. As vendedoras são simpaticíssimas. E dali é pertinho encontrar o metrô. Comprei uma bolsa-carteira Hello Kitty a US$ 28 (tá, foi um luxinho dispensável, mas amo bolsas de Hello Kitty), um Domo a US$ 12 pro namorado, uma camiseta a US$ 9,90 pro namorado, uma camiseta a US$ 5 pra mim e mais uns cacarequinhos que não passaram de US$ 3 (lencinhos com cheiro de cupcake, uma mini-matrioshka, uma caixinha de balas com a inscrição “We met on Facebook”).  É pertinho do metrô e Brooklyn é fundamental, assim como Gottardo *piadainterna*, mas se você estiver com preguiça compre online e mande entregar onde você estiver hospedada, a loja virtual é tão bem fornida quanto a física.

Fico devendo as fotos das aquisições e a parte 2 das dicas. Gente, é pobrinho mas é de coração, tá? É que as amicas me pediram tanto as minhas impressões de jovem descapitalizada que me sinto na obrigação de prestar contas para a sociedade.

Manual da Jovem Descapitalizada, parte II: viajar sendo dura

Vocês pediram (ou não). O Manual da Jovem Descapitalizada foi um sucesso entre seu público-alvo – mulheres que, assim como você, jovem amiga dona de casa, precisam cantar, dançar e sapatear para pagar suas contas. Mas e se você quiser viajar? E se você achar que tem o direito de ter férias como o resto do mundo? E se você estiver cansada de usar esse dinheiro, vender 10 dias, pedir adiantamento de parcela de 13o salário só para pagar dívidas, sair do cheque especial e estar no negativo de novo três meses depois? Não é melhor, então, usar esse dinheiro para fazer algo por você, já que as dívidas – assim como os diamantes – são eternos? É para isso que damos continuidade a série.

Live from New York, it`s Saturday Night Live! Opa, errei a segunda parte. Mas a primeira é verdade. Estou em Nova York com Diego Maia, amigo muito querido e muito fino, e aos pouquinhos vou contando sobre as melhores pechinchas que encontrei aqui para que você, amiga dona de casa, acredite que também pode se jogar na classe econômica de um 777 lotado. E como já dizia Frankie, if I can make it there, I can make it anywhere. Aguardem, tudo está sendo devidamente apurado pelos nossos computadores e sua ligação é muito importante para nós.

(Mas se vocês querem um relato pormenorizado do nosso primeiro dia, cliquem aqui que o Diego já fez o serviço!).