David Mamet e o drama

Arnaldo Branco, meu amigo, chefe (é, tô nessa parada aí com ele) e personal gênio me encaminhou dia desses esse link, uma carta do David Mamet para sua equipe de roteiristas em “The unit”, série de 2006 que teve 4 temporadas (e que, a tirar pelo pôster, vocês podem imaginar que eu não vi).

Tá aqui nesse link (é coisa velha, gente, eu sei, mas minha cabeça não segue uma ordem lá muito cronológica), destaco o que achei mais bacana:

IF THE SCENE BORES YOU WHEN YOU READ IT, REST ASSURED IT *WILL* BORE THE ACTORS, AND WILL, THEN, BORE THE AUDIENCE, AND WE’RE ALL GOING TO BE BACK IN THE BREADLINE.

Sim, David Mamet é capslouco.

Boa noite pra vocês.

Aquele episódio 5 de ‘Girls’

shewantsall

Tô há dias pensando, e lendo, e digerindo e refletindo sobre este quinto episódio da segunda temporada de “Girls”.

Muita gente não gostou; eu adorei. É o tipo de episódio que leva a várias reflexões.

Costumo prestar atenção nas séries com o olhar de pessoa normal, de jornalista e roteirista. Este episódio me cativou nas três frentes, mas principalmente na primeira.

Este artigo do Jezebel é muito oportuno: rebate, de cara, um aspecto levantado pela maioria dos homens que eu conheço – o excesso de nudez de Lena Dunham. Tenho certeza de que, fosse Anna Paquin em cena, as reclamações cairiam pela metade. Como disseram o rapazes da Slate: “How can a girl like that get a guy like this?”. E ainda perguntam: “Was that the worst episode of Girls ever?”. Seria o pior episódio porque uma garotinha petulante, gorducha e sem vergonha das suas banhas ousou achar que poderia ter algum tipo de relação com um cara bonitão, mais velho e bem-sucedido? Nas entrelinhas, é isso que eles estão dizendo. Bom, nem tão nas entrelinhas assim.

“How can a girl like that get a guy like this?”. Senhor, por onde começar ao ler isso?

Fico me perguntando como homens capazes de pensar e escrever isso em público são no plano particular. Como tratam suas namoradas. E como tratam mulheres em geral. Mas Tracie Egan Morrissey – que assina o tal artigo do Jezebel de que falei – explica melhor que eu, que às vezes prefiro calar para não falar o que não devo.

 It’s not enough to simply acknowledge that, like the Slate guys, you’re prejudiced against the idea of a physically imperfect woman being able to enchant a hunk like Joshua. You should be asking yourself why that is. Because if we’re going to talk about privilege when we talk about this show, then we should talk about privilege in all respects: like how value is assigned to a woman by how she looks. And how that valuation determines the level of bullshit that people will tolerate from her.

Isto posto, o que me fez pensar foi exatamente a cena da ilustração acima (créditos para Alex Bedder, do New York Observer). O diálogo:

- Please don’t tell anyone this, but… I want to be happy.

- Of course you do. Everyone does.

- Yeah, but I didn’t think that I did. I made a promise such a long time ago that I was gonna take in experiences, all of them, so that I could tell other people about them and maybe save them, but it gets so tiring… Trying to take in all the experiences for everybody, letting anyone say anything to me. Then I came here… And I see you. And you’ve got the fruit in the bowl and the fridge with the stuff… The robe, and you’re touching me the way that… I realize I’m not different. You know? I want what everyone wants. I want what they all want. I want all the things. I just want to be happy.

Reconhecer que não é diferente dos outros por seus desejos serem exatamente iguais aos do resto do mundo, quando se tem 20 e poucos anos, é mais ou menos assim mesmo. Só um lembrete para quem não passou por isso – ou prefere esquecer que o fez. (Nota: a expressão life-changing experience também se aplica a esta situação – e a situação do episódio).

E admitir isso, seja na vida real ou na ficção, seja uma pessoa de carne de osso ou uma personagem, é uma das coisas mais difíceis do mundo. A sensação que tenho é que hoje em dia ninguém quer nem pode parecer vulnerável ou frágil, e ver o outro nesta posição provoca ojeriza porque nos lembra de nossa própria fragilidade.

Também poderia falar por horas sobre a direção do episódio, o texto, a trilha sonora e outros aspectos mais técnicos (como a semelhança que salta aos olhos em relação a uma determinada cena de “Lost in translation”, meu filme preferido na vida) mas quando a coisa te toca (epa) num âmbito mais pessoal, o resto é detalhe.

Enfim, eu disse que o episódio levantou várias reflexões. Não ando muito boa com palavras, mas é mais ou menos isso que eu penso – não que alguém tenha pedido minha opinião.

Um adendo: esse episódio também foi fundamental para delinear a personagem. Humanizar Hannah. Ela não é uma garota chatinha sem motivo. Agora, sabemos os motivos que a levam a ser assim – e a não ser como ela é realmente é.

‘Girls’, ‘Community’ e os recuts

Recuts não são, exatamente, a novidade na semana. Desde que o mundo é mundo (ou, pelo menos, desde que as ferramentas para este fim se tornaram mais acessíveis) já existe a ideia de refazer e remontar filmes, trailers, seja lá o que for da forma que mais apeteça o telespectador – ou que fique mais interessante, se o objetivo for uma paródia.

No YouTube, os recuts de trailers e longas – ou video mashups, há quem os chame assim mas, sinceramente, prefiro a primeira opção – vazam pelo ladrão. Um dos meus preferidos é o que faz de “Uma babá quase perfeita” um filme de terror. E o que consegue a proeza de tornar “O iluminado” uma comédia romântica. Mas os recuts de séries, ah, esses andam me fazendo bem feliz.

O da semana (aproveitando o gancho da estreia da segunda temporada) é o de “Girls”, minha série preferida dos últimos tempos. Para quem não viu, uma breve tentativa de resumo: amigas de 20 e poucos anos vivem as dores do crescimento – ainda mais doído quando falta dinheiro – no Brooklyn. Uma comédia dramática que virou um filme de terror. Olhaí.

girlsrecut(Se não conseguir assistir clicando na imagem, clique aqui)

Outro que é simplesmente demais é o de “Community” – neste caso, palmas para a NBC, que divulgou “The darker side of Community” como uma ação promocional no ano passado. Ops, a NBC pôs a série na geladeira por meses. Palmas retiradas.

O Mashable também já tinha listado 5 séries remontadas como sitcoms. Tem “The walking dead”, “Dexter” e “The office”, mas ver “Breaking bad” como uma atração família é de rir – nem acho a cena boa, mas a abertura é engraçada.

Hatfields, McCoys e etc

hatfields

Não é muito a minha linha, mas assisti ao primeiro episódio de “Hatfields & McCoys”, que estreia nesta próxima terça no canal Space, por conta de uma entrevista bacana (no domingo replico aqui – não que alguém se importe, mas tudo bem). Acabei me surpreendendo. Apesar de ter enfrentado o mesmo problema do rapaz que fez a resenha do Guardian – “How did the Hatfields and McCoys know who to shoot? They all looked alike with their big, bushy beards”, ele pergunta – , o negócio é bem feito.

Para quem não viu, Kevin Costner é o seu Hatfield e Bill Paxton é nhô Randall. Ex-companheiros na Guerra da Secessão (prefiro mil vezes escrever Secessão a Civil, acho mais fino), acabam caindo no pau e virando rivais depois que o infeliz do tio de um mata o irmão do outro, o primo de um rouba o porco do outro, o um se apossa da madeira das terras do primo do outro, e por aí vai.

Eu sinceramente acho que o tal Hatfield foi muito do espertinho fazendo fortuna (naquelas, né) enquanto o miguxo tava lá, sujando a roupa no front – sem contar que ele, ambicioso que só, não hesitou em passar a perna em quem desse molinho, incluindo o agora ex-miguxo. O chefe dos McCoy desperta aquela simpatia que normalmente nutrimos por quem se dá mal na história. Mas em vez de seguir aquela frase clássica de adesivo de carro velho “Não me inveje, trabalhe” (reparou que só carro velho tem esse adesivo no vidro traseiro?) ele quer fazer as duas coisas ao mesmo tempo e se dá mal.

Fico me perguntando se, além de vítima da esperteza do outro, o pobre McCoy também não é vítima de sua própria coitadice. Sim, esta é uma breve pensata sobre como todos nós podemos ser o pobre McCoy, tomando sopapo dos outros e ainda nos chicoteando com nosso próprio mimimi. Realmente fica difícil subir na vida.

Ainda não sei o desfecho da história (na ficção, obviamente, porque a minissérie em 3 capítulos é baseada em fatos os quais já conheço – e apenas fatos:  por favor, a cada vez que alguém diz fatos históricos eu corto mentalmente meus pulsos), mas já tô duvidando da minha simpatia pelo Bill Paxton de seu McCoy. A ver.

A lista definitiva dos clichês

Tudo bem, a lista é antiga. Mas de vez em quando ela volta – afinal, o cinema muda, a TV idem, mas algumas frases começam a se repetir mais e mais. Tudo começou com o roteirista britânico Kevin Lehane. Em seu blog, ele listou as 111 frases mais clichês de todos os tempos de todos os roteiros. A saber, as 10 primeiras:

  1. I was born ready.
  2. Are you sitting down?
  3. Let’s get out of here!
  4. _____ my middle name.
  5. Is that all you got?
    I’m just getting started.
  6. Are you thinking what I’m thinking?
  7. Don’t you die on me!
  8. Tell my wife and kids I love them.
  9. Breathe, dammit!
  10. Cover me. I’m going in.

Só que, como as pessoas trabalham, cantam, dançam e sapateiam, Kevin desistiu da vida de blogueiro. E aí Scott Myers, do Go Into the Story, passou a hospedar a lista – já com 120 itens – e ainda acrescentar mais algumas pérolas. Hoje, são 131 frases no rol oficial, incluindo o cada vez mais clássico that’s what she said (muito em voga em tempos de bromances e comédias ligeiramente escatológicas).

A curiosidade: a lista foi postada originalmente em 2010. E até hoje, 3 anos depois, leitores ainda sugerem clichês nos comentários.

Tá tudo aqui, ó. Divirta-se.

PS: Meu clichê preferido de todos esses: “Follow that car!”. Bom, esse eu já tive a oportunidade de dizer. Na vida real mesmo. Um sonho: gritar “parem as rotativas!” antes que elas sejam extintas.

Atrizes para se ficar de olho na TV (na TPM)

listatpmViver em “Alta fidelidade” sempre foi um sonho antigo. Deve vir daí uma certa obsessão por listas que desenvolvi ao longo dos anos.

A mais recente é essa aqui, que você pode ler (se quiser, não tô te forçando a nada não, colega) no site da revista TPM. Uma amiga querida me convidou e está aqui: as cinco atrizes para se ficar de olho na TV em 2013.

Achei engraçado ler meu nome assim, grandão, logo no subtítulo – fica parecendo até que sou importante. Mas enfim, é limpinho e de coração. Adoro essas coisas.

Mad Men + Girls

Preciso atualizar o mundo (ou não, porque basicamente falo sobre isso dia sim, dia não) sobre meu amor por “Girls”. Esse vídeo é de 2010, quando Alison Williams ainda não era ninguém muito importante (desculpem, eu acho), mas como vivo num mundo paralelo ocasionalmente só vi hoje (via amigas da firma).

Marnie, acho que você se daria bem com Don Draper.

 

Anti-lista de fim de ano ou “é impossível comer um só”

Sofro de amnésia absoluta quando alguém me pergunta “de que ________ (filmes/discos/shows/séries) você mais gostou neste ano?”. É tanta coisa que eu já desisti de fazer listas. Não consigo. Sério.

A única que eu me permiti, por motivos de força maior trabalho, foi essa aqui. Eu e minha miguxa Liv Brandão chutamos o balde e fizemos a lista de fim de ano que eu sempre quis fazer – no sentido de esculhambação mesmo. São só séries porque, né, para quem não sabe nós assinamos uma coluna sobre o assunto aqui.

E sim, esse é um post picareta. Só para não acharem que não fiz minha lista e tal.

(Trilha sonora: “My year in lists”, Los Campesinos)

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Os melhores e piores do ano da coluna Seriais

Colunistas elegem seus destaques da temporada 2011 

RIO – Sim, nós até temos nossos palpites para melhor série, melhor ator, melhor atriz… Mas quem é que não tem? E se em vez de discutirmos se o Globo de Ouro estava certo em suas indicações, ou especular quem vai ser o injustiçado da vez no Emmy, a gente destacasse aquelas categorias que todo mundo comenta, mas que nenhuma lista contempla? Pensando nisso, nossos melhores e piores de 2011 são personalizados, com campeões em modalidades jamais vistas na História deste país — quer dizer, das premiações tradicionais. Nesta Seriais especial, elegemos o que mais chamou nossa atenção neste universo durante os últimos 12 meses. Seja um cachorro, um anão, um nerd ou um barraqueiro profissional. Isto posto, divirtam-se e até 2012!

•MELHOR EMENDA que saiu pior que o soneto. Quando Ashton Kutcher foi confirmado no lugar de Charlie Sheen em “Two and a half men”, muita gente torceu o nariz. Também pudera, Kutcher não disse a que veio, provando que o melhor destino para a série teria sido o cancelamento.

•MELHOR SÉRIE assustadora que muita gente não vê porque dá medo (mesmo). Ryan Murphy resolveu investir em uma área completamente diferente de “Glee” e criou “American horror story”, um terror bizarro com Jessica Lange que faturou uma indicação ao Globo de Ouro — e que faz muita gente grande ter pesadelos.

•MELHOR CACHORRO da temporada. Grosso e sem pudores, “Wilfred” é, de longe, o melhor e mais chato cachorro de 2011. Não, não importa o fato de ele aparecer como um homem vestido como cão.

•MELHOR ANÃO já visto em cena. Peter Dinklage roubou a cena em “Game of thrones”, outro merecido destaque do ano. Na pele de Tyrion Lannister, ele mostrou que a baixa estatura é só um detalhe. Tanto que foi indicado para o Emmy de melhor ator coadjuvante em série dramática — e faturou o prêmio. Arrasou, amigo.

•MELHOR CANCELAMENTO de série. Desculpem-nos por lembrá-lo da existência de “The cape”, querido leitor, mas é por um bom motivo: comemorar o fim de uma das tramas mais toscas já produzidas pela TV americana. A série, cheia de clichês de super-heróis, não pegou e o último episódio de sua única temporada foi exibido apenas pela internet.

•MELHOR SÉRIE que bombou lá fora e ainda não estreou aqui, tsc tsc. Apesar de já ter exibição garantida no Brasil pelo FX, “Homeland” foi o assunto da nova temporada lá fora — e aqui, né? Claire Danes, como dizer, quebra tudo na pele de uma agente da CIA, desconfiada de que um herói de guerra seja, na verdade, um aliado dos terroristas.

•MELHOR NOVO desafio profissional, sabe como é. Alguém ainda consegue lembrar como era “The good wife” sem Alan Cumming? Ele deita, rola e distribui talento como um inescrupuloso assessor de campanha.

•MELHOR FAMÍLIA disfuncional que poderia até ser a nossa. Um tiozinho, uma latina caliente, um casal gay, uma garotinha meio nerd e sua irmã quase periguete: isso é “Modern family”, mas se você olhar bem cada episódio é capaz de desligar a TV achando que aquele povo todo faz parte da sua vida.

•MELHOR NERD para se ter por perto em caso de emergência. Que Sheldon (Jim Parsons) é mais eficiente, todo mundo sabe. Mas de “The Big Bang Theory”, quem nós realmente gostaríamos de ter por perto é Leonard (Johnny Galecki). Além de ser nerd, ele é uma fofura e esbanja paciência. Um beijo, Leonard!

•MELHOR REPRISE infinita. É ba-ta-ta. Você liga a TV a qualquer hora do dia, sintoniza no Universal Channel e lá estão os detetives de “Law & Order: SVU”. De tanto reprisar, a gente às vezes esquece que Chris Meloni deixou a série e deu lugar a Danny Pino. Não que isso seja ruim, mas…

•MELHORES AMIGAS que nós gostaríamos de ter. Max (Kat Dennings) e Caroline (Beth Behrs), em “2 broke girls”, são as garçonetes mais sarcásticas do Brooklyn. Adotem a gente?

•MELHOR DESCANCELAMENTO de todos os tempos. Numa jogada genial e inédita, a Netflix descancelou a cultuada “Arrested development” depois de seis anos e garantiu retomá-la e exibí-la em 2013, com o elenco original. Não vemos a hora de reencontrar Jason Bateman, Michael Cera e Will Arnett!

•MELHOR TV sem ser TV. O advento da Netflix em solo brasileiro foi, tipo assim, um daqueles milagres que a gente não sabe de onde vem, mas só agradece. Com um acervo crescente de séries, eles ainda fizeram a gentileza de garantir por aqui a exibição de “The hour”, ambientada na Guerra Fria. Gamamos.

•MELHOR VALE a pena ver de novo. Mulder e Scully voltaram à vida. Pelo menos às nossas, ainda bem! “Arquivo X” ganhou uma bem-vinda reprise no TCM e alegra as nossas madrugadas. Bom demais ver David Duchovny e Gillian Anderson com o viço da juventude.

• PRÊMIO ENCRENQUEIRO do ano. Charlie Sheen fez de 2011 o ano em que oficialmente se mostrou fora da casinha. Brigou com o chefe, com a mulher… Mais alguém? Ainda saiu de “Two and a half men” e causou furor na TV e no Twitter cunhando expressões loucas, como “tiger blood”. Charlie, obrigada por todos os bafões concedidos, até que foi divertido.

‘Que marravilha’ de cozinha!

Foto de Rogério Resende, do site do GNTQuando eu era mais nova e sentia falta de saber cozinhar, minha mãe sempre dizia que microondas existia para isso. E contava uma história muito ilustrativa: já casada, quando se deparou com um frango pela primeira vez, caiu no choro. Sim, pela total inabilidade para limpar o penoso e prepará-lo decentemente.

Hoje minha mãe canta, dança e sapateia – opa, essa sou eu. Ela prepara entradas, pratos principais e sobremesas muito bem, apesar de dizer que só aprendeu meia dúzia de receitas para enganar a quem for necessário. Mas eu também choraria de pânico diante de um frango. Meus dotes culinários se resumem a macarrão, molho de cachorro quente e torta alemã. Claro que os três são muito bons, mas enfim, não constituem uma refeição completa. Não sei fazer uma feira e até hoje meu padrasto  e sua linha de pensamento medieval dizem que minha mãe não me preparou para casar (e neste momento não sei se meu namorado chora de tristeza ou alegria, heh).

Enfim, todo esse nariz de cera – aqui eu posso, dá licença? – para dizer como me chocou “Que marravilha!”, novo programa do chef Claude Troisgros que estreia nesta quinta-feira, às 22h, no GNT. Tive a chance de ir a um almoço-coletiva de lançamento do programa, há algumas semanas, e fiquei impressionada com o fato de que cozinhar parece TÃO fácil. No primeiro episódio, que vai ao ar hoje, uma mocinha chamada Paula, moradora de Copacabana, só prepara… macarrão e cachorro-quente. A irmã, recém-chegada da Alemanha, reclama horrores. E eis que Paula decide aprender a fazer um bobó de camarão. No almoço, ela e Claude prepararam, mais uma vez, o tal do bobó. Claro que o camarão já estava limpo e o caldo pronto, mas ainda assim, fazer um prato desses em meia hora é meio assustador. Tudo pareceu tão fácil, tão intuitivo, tão simples, que eu me senti uma tonta por não saber cozinhar.

Corta. Aí temos minha amiga Joana, que por trabalhar onde Judas perdeu as botas começou a cozinhar seu próprio almoço. Em um encontrinho de amigos ela foi capaz de fazer minikebabs em questão de minutos. Mais um choque. Leio as receitas de Joana – neste blog sensacional aqui, ó, chamado Coentro – e continuo embasbacada. Isso não pode ser assim tão fácil. Fato que vou bater ponto vendo o “Que marravilha!” (e vendo Joana preparar seus quitutes) pra ver se um dia tomo coragem ou vergonha na cara mesmo.