A luz automática do banheiro e outras coisas inacreditáveis do mundo

Gostaria de saber quem foi o gênio que inventou esse maldito sensor de movimento para luz e, mais ainda, quem foi que teve a belíssima ideia de instalar essas lâmpadas automáticas em banheiros. Nada mais irritante do que alguém – melhor dizendo, uma lâmpada – ditando quanto tempo você tem para fazer xixi.

Imagino o diálogo:

- Precisamos reduzir os gastos de energia aqui na firma!

- Já sei: vamos instalar sensores de movimento para controlar a luz nos banheiros!

- Mas será que não vai dar problema? No caso de um xixi mais demorado, de alguém passando mal, com dor de barriga… A pessoa vai ficar no escuro? Será que alguém pode tomar um tombo e processar a empresa?

- Que nada! As pessoas acostumam! Aprendem a fazer xixi no tempo da luz!

E pronto. Deve ter sido assim que a primeira sumidade empresarial instituiu o uso de sensores de movimento em banheiros. Claro que eles só funcionam quando você está no corredor, próxima à pia ou ao espelho. Quando você entra na cabine, se ajeita e finalmente atinge o nirvana fazendo aquele xixi preso há duas horas (trabalho: o maior patrocinador de cistites no mundo), a luz apaga.

Se você está no banheiro da firma, você minimamente tem, em sua cabeça, o mapa do recinto. E quando você está num toalete novo, ainda não escaneado pela sua mente? Como lidar? Aí é aquele desespero para tatear e encontrar a bolsa, pendurada em algum ganchinho atrás da porta. No escuro, a bolsa cai no chão. Com uma mão você alcança o papel higiênico, com a outra procura o celular para acender a lanterna. Acha o papel. Não acha o celular. Tenta localizar a descarga. Não acha. Cadê o celular? A necessaire cai da bolsa (neste momento você agradece a Deus pelo banheiro ser aparentemente limpo). Você acha o celular. Encontra a descarga. Dá a descarga com medo de jogar o celular no vaso sem querer (ainda está escuro). Você consegue ligar a lanterna do celular. Você segura o celular com uma mão e tenta vestir novamente suas calças com a outra. Você leva o dobro do tempo que levaria para suspender uma simples calça jeans. Recupera a necessaire e guarda na bolsa. Cata a bolsa. Usa o celular como guia, chega de volta ao centro do recinto e, para completar, ainda tem de dançar para ativar o sensor de movimento.

Porque é claro que balançar gentilmente o braço não faz a luz ser religada, assim como apenas uma toalha de papel não seca suavemente as minhas mãos!

Depois de praticamente segurar o tchan no meio do banheiro, a luz acende. Você está descabelada e suada. Lava as mãos e as seca violentamente com cinco folhas de papel reciclado (as árvores da Amazônia desta vez vão te perdoar). Retoca o batom. Olha no celular: foram quase 20 minutos.

E depois ainda me perguntam por que eu odeio essas luzes automáticas.

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