Manual da Jovem Descapitalizada

Você quer uma vida de glamour. Você quer frequentar os bares e restaurantes bacanas, você quer estar sempre linda e bem vestida. Mas seu saldo bancário não permite. Se você também gasta metade do seu salário pagando juros do cartão de crédito ou do cheque especial, junte-se a nós. Você também precisa do Manual da Jovem Descapitalizada.

Esse é um estilo de vida para poucas, obviamente. A maioria das jovens descapitalizadas acaba faniquitando ou tendo um treco depois de seis meses de telefonemas semanais do banco de sua preferência. Mas você, mulher guerreira, batalhadora, menina-moleca (opa, perdão), que é obrigada a cantar, dançar, sapatear e esmolar para pagar suas contas e ainda ter uma vida social, sabe que não pode se dar ao luxo de ter surtos. O que fazer nestes casos?

1. O cheque especial é seu melhor amigo. Encare o cheque especial como um segundo salário, ou melhor, como o salário que você deveria receber todo mês, se vivêssemos em um mundo justo. Perca o medo de ficar no vermelho. Acostume-se: se um dia você casar ou tiver filhos, essa provavelmente vai ser sua vida por mais uns… 20 anos?

2. Cartão de crédito: use enquanto puder. Um dia, muito em breve, a fonte vai secar. Mas tente não pensar nisso. Quando a fatura vier, passe o resto do ano pagando.

3. Contas, ah, as contas. Algumas são implacáveis: luz, gás, Net. Se você não quiser ser supreendida com uma ducha fria pela manhã ou pelo moço que vem sem aviso buscar seu decodificador, priorize estas contas. O resto você empurra com a barriga. Ahn, sim: pague o aluguel no dia em que seu salário entrar. Isso evita que, no dia 5, você perceba que não tem nem mais um centavo.

4. Saídas, festas e afins: uma vez por semana já está bom demais. Parta do princípio que você vai gastar, por baixo, R$ 40 (com o táxi da volta para casa). Pois é. Doeu no meu bolso também.

5. A dureza é a maior razão da pirataria virtual. Você, jovem descapitalizada, vai gastar R$ 18 num ingresso no cinema com a internet a sua disposição? Não é apologia, veja bem. É dureza mesmo.

6. Você quer viajar? Não espere as condições normais de temperatura e pressão. Cate o dinheiro das férias, venda 10 dias, junte o adiantamento do 13 salário e vai na fé. Claro que você vai passar uns dois anos pagando suas dívidas, mas vai dizer que não vale a pena?

7. Não tenha vergonha da sua condição de jovem descapitalizada. Acredite que você, um dia, ainda vai dar muito certo na vida e retribuir em dobro todos os favores que seus amigos lhe prestaram. Tenha CERTEZA disso. Ninguém é duro impunemente. Digamos que é na dureza que se aprende a se virar com o que se tem.

8. Se virar com o que se tem inclui usar o que se tem no armário, já que compras, né? Se ainda assim precisar gastar, já que aquela blusa de 1999 tá começando a rasgar debaixo do braço, desenvolva sua visão raio-x – aquela que detecta peças boas E em promoção na mesma arara.

9. Seja Pollyanna: ser dura emagrece (ou pelo menos deveria). Sem dinheiro você não vai ter como pedir pizza todo dia, por mais que a pizzaria da esquina seja superbarata.

10. Se nada mais der certo, engula o orgulho e grite sua mãe. Se ela não puder ajudar financeiramente, pelo menos vai te consolar. Sempre.

19 thoughts on “Manual da Jovem Descapitalizada

  1. Gente, deixa eu contar uma coisa para vocês: isso é HUMOR. PIADA. TROÇA em cima da minha situação. Tudo isso que está descrito aí são experiências pelas quais eu já passei e ocasionalmente ainda passo. Claro que não quero que vocês fiquem com o nome sujo no SPC/Serasa – aliás, mesmo fazendo TUDO que está aí em cima eu nunca fiquei, sério. E isso num período de 10 anos!
    Continuo empurrando algumas coisas com a barriga, mas tento pagar as contas todas em dia (menos o celular, na verdade pq preciso mudar a data do vencimento e sempre me esqueço, hehe). Tento pagar a fatura do cartão integralmente, mas claro que tem mês que não dá, pago metade, agendo rotativo, no mês seguinte aperto daqui e de lá e vou quitando. Sim, já peguei muito empréstimo e passei anos da vida pagando ao banco (aliás, hoje em dia mesmo tô pagando um, abafa!). O que eu quero dizer com o Manual é: dá, sim, para viver e fazer as coisas que você quer sendo/estando dura. Há um preço a se pagar, mas ainda assim um outro mundo é possível. Ainda mais quando você ri de si mesma :)

  2. Do item 4 para baixo é até tranquilo, mas é completamente idiota achar que cheque especial, cartão de crédito e empurrar as contas com a barriga é aconselhável em qualquer situação. Entrar em fura é fácil, difícil será daqui a 3 anos de vida bancária em cheque especial, cartão acima do possível de pagar e contas indo para o SPC sair da merda para comprar o básico.

    Aliás, se seu banco tiver a opção de você NÃO ter cheque especial, opte por isto! Nada é mais devassador na vida financeira de alguém do que o cheque especial.

    Outro ponto: se você é descapitalizado, opte por tem um limite de cartão de crédito que atinja no máximo o valor de seu salário, de preferência menor.

    E paga suas contas em dia. O máximo que puder.

    Ainda dá para fazer várias coisas e não entrar em dívidas por idiotices.

  3. Sei muito bem como é isso! Estudante de moda, cheia de material pra comprar pros trabalhos, querendo ir em vários shows, e a mulher do estágio não retorna sua ligação!

    tudo de bom né???
    hahahhhahaha
    adorei

  4. O manual é otimo e me identifico muito, mas não é sensato. Usar cheque especial e coisas afins é um perigo doido! Se tiver uma emergencia, como vc vai pagar? E os juros de 170%, não é legal, né? Gente cuidado com o consumismo! Pode virar doença!

  5. Pingback: História das nossas vidas « Beleza Remediada

  6. Amigas tá tudo muito bom, tá tudo muito bem,mas depois de empurrar a ciranda com a barriga, vc vai tentar o suicídio e se tiver sucesso tenha certeza, o gerente do banco NÃO vaI a seu enterro nem que vc dê pra ele!

    • Hahaha, Sheila, essa foi boa! Mas em todos esses anos dessa indústria vital passei longe de pensar nisso, sou brasileira e não desisto nunca :P

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