Lavar louça é vida, apontam estudos

Uma das minhas leituras favoritas na internet nos últimos tempos é o Be More With Less. A autora, Courtney Carver, tem 43 anos, é mãe de uma adolescente, tem esclerose múltipla (“a doença não me define, nem o meu blog, mas tem um grande impacto na minha vida”, ela diz) e fala dos benefícios do minimalismo, no sentido mais amplo da palavra – estabelecer prioridades, consumir menos, gastar menos, dever menos, ser mais feliz. Juro, é agradável.

No post mais recente, ela fala sobre a necessidade de simplificarmos a vida e sairmos da roda-viva do dia a dia. E também dá alguns conselhos que, para minha surpresa, comprovam o que popularmente se diz por aí: falta louça para lavar no mundo.

Os conselhos de Courtney: 

  • “If you get lost, do the laundry. You know how to do that. You don’t need input or direction. Just do it.
  • If you feel scattered, wash the dishes. Turn off your dishwasher and wash each dish as if it’s the most important thing you have to do.
  • If your mind is racing, hang out by the spin cycle. Let the background noise quiet your mind.
  • If you are anxious, sweep the floor. Sweep up your worry along with the dust (and dog hair in my case).
  • When things get messy, shine your sink. If your to-do list is out of control or your mind is full of idea and you don’t know where to start, clean your sink”.

Eu acrescentaria o “se estiver com raiva, esfregue o box do seu banheiro com X-14 e Sapólio e limpe o rejunte com uma escovinha de dentes”. Mas abra a porta, senão você sufoca (de raiva e de excesso de cloro, claro).

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Quem ama lava a louça – e quem precisa de foco na vida também.

Atores interpretando memes

Segundo a Wikipedia (esse é o nível da minha preguiça hoje, senhores, até Wikipedia estou citando), Paul Francis Tompkins – mais conhecido como Paul F. Tompkins – é um ator, comediante e roteirista americano. Desde maio de 2012 ele conduz uma websérie de entrevistas, batizada de “Speakeasy”, na qual recebe atores e gente bombada em geral para um papo em um bom bar de Los Angeles com bons drinks. Daí que Paul, entre uma entrevista e outra, criou uma nova série dentro da série – um spin-off, por assim dizer.

“Fulano Imitates Popular Internet Memes”  traz Jake Johnson (Jake, o ator, não Jack, o músico) dando seu melhor no Grumpy Cat e Alison Brie (de “Community”) levando um hadouken do hadouken. Já tinha visto o do Jake, mas o do Alison foi dica da Thaís.

Boa noite.

 

Uma rodada de links pra galera, parte 871

O que eu li, compartilhei ou favoritei nesta semana que passou (não que alguém tenha pedido).

- O site da Hollywood Reporter publicou uma fotogaleria dos writers’ rooms mais icônicos da TV. Chore comigo aqui

- Diablo Cody, dizem, vai ter um talk show. Depois de “Juno” acho que ela não emplacou como todo mundo esperava, mas o livro da moça (“Minha vida de stripper”, foi lançado em português não lembro por qual editora, deem um Google aí) é muito bom. Aqui

- As 13 regras para criar um drama televisivo de sucesso (se só isso bastasse todas as séries seriam boas, mas achei interessante). Aqui 

- Mandy Patinkin, de “Homeland”, vai estar no elenco do novo filme do Zach Braff. Chorei. Aqui

- “Female representation in films is at its lowest level in five years, a USC report says”. Bom link do LA Times. Recomendo a leitura (note to self: aprofundar no tema em outro post). Aqui

- “My Life as a Screenwriter You’ve Never Heard Of”. Poderia ser eu, mas é outra pessoa. Porque nem todos somos Aaron Sorkin. Aqui

- Best of East Coast City Guides. Nunca se sabe quando vamos precisar deles. Aqui 

 

A luz automática do banheiro e outras coisas inacreditáveis do mundo

Gostaria de saber quem foi o gênio que inventou esse maldito sensor de movimento para luz e, mais ainda, quem foi que teve a belíssima ideia de instalar essas lâmpadas automáticas em banheiros. Nada mais irritante do que alguém – melhor dizendo, uma lâmpada – ditando quanto tempo você tem para fazer xixi.

Imagino o diálogo:

- Precisamos reduzir os gastos de energia aqui na firma!

- Já sei: vamos instalar sensores de movimento para controlar a luz nos banheiros!

- Mas será que não vai dar problema? No caso de um xixi mais demorado, de alguém passando mal, com dor de barriga… A pessoa vai ficar no escuro? Será que alguém pode tomar um tombo e processar a empresa?

- Que nada! As pessoas acostumam! Aprendem a fazer xixi no tempo da luz!

E pronto. Deve ter sido assim que a primeira sumidade empresarial instituiu o uso de sensores de movimento em banheiros. Claro que eles só funcionam quando você está no corredor, próxima à pia ou ao espelho. Quando você entra na cabine, se ajeita e finalmente atinge o nirvana fazendo aquele xixi preso há duas horas (trabalho: o maior patrocinador de cistites no mundo), a luz apaga.

Se você está no banheiro da firma, você minimamente tem, em sua cabeça, o mapa do recinto. E quando você está num toalete novo, ainda não escaneado pela sua mente? Como lidar? Aí é aquele desespero para tatear e encontrar a bolsa, pendurada em algum ganchinho atrás da porta. No escuro, a bolsa cai no chão. Com uma mão você alcança o papel higiênico, com a outra procura o celular para acender a lanterna. Acha o papel. Não acha o celular. Tenta localizar a descarga. Não acha. Cadê o celular? A necessaire cai da bolsa (neste momento você agradece a Deus pelo banheiro ser aparentemente limpo). Você acha o celular. Encontra a descarga. Dá a descarga com medo de jogar o celular no vaso sem querer (ainda está escuro). Você consegue ligar a lanterna do celular. Você segura o celular com uma mão e tenta vestir novamente suas calças com a outra. Você leva o dobro do tempo que levaria para suspender uma simples calça jeans. Recupera a necessaire e guarda na bolsa. Cata a bolsa. Usa o celular como guia, chega de volta ao centro do recinto e, para completar, ainda tem de dançar para ativar o sensor de movimento.

Porque é claro que balançar gentilmente o braço não faz a luz ser religada, assim como apenas uma toalha de papel não seca suavemente as minhas mãos!

Depois de praticamente segurar o tchan no meio do banheiro, a luz acende. Você está descabelada e suada. Lava as mãos e as seca violentamente com cinco folhas de papel reciclado (as árvores da Amazônia desta vez vão te perdoar). Retoca o batom. Olha no celular: foram quase 20 minutos.

E depois ainda me perguntam por que eu odeio essas luzes automáticas.

A vida dos outros

- Ela é loura, mora na Zona Sul, é chef de cozinha, tatuada e faz yoga – diz minha amiga.

- Você já teve a impressão de que a vida dos outros parece ser muito mais interessante que a nossa? – pergunto, enquanto remexo meia dúzia de folhas de alface no prato depois de algumas horas de trabalho, como faço todos os dias.

- Mas a nossa vida é interessante. As pessoas costumam achar a nossa vida exótica – responde a terceira pessoa à mesa.

É verdade. Não podemos reclamar, nenhum dos três: metade das coisas que vimos e vivemos e ouvimos costuma ser, no mínimo, exótica. No máximo, interessante em diferentes níveis.

Mas por que, no geral, a vida dos outros sempre parece mais interessante, mais divertida e mais pitoresca que a nossa?

Resposta: não sei. Ainda estou refletindo sobre o assunto.

(“It’s hard to be yourself when everyone is someone else”, obrigada, Ben Kweller).

‘Uma noite na lua’, Gregório e o pânico do autor

umanoitenaluaNa semana passada um amigo me convidou para a reestreia de “Uma noite na lua”, com Gregório Duvivier. Acompanho o trabalho do cara há um tempo (e como meu namorado não lê isso aqui mesmo posso admitir que acho o rapaz a coisa mais linda do mundo depois dele – do meu namorado, claro) e aceitei de bom grado.

Só havia ouvido falar maravilhas da peça, que continua em cartaz no Teatro dos 4, no Shopping da Gávea. Como vai contra os meus princípios dizer “você TEM QUE ______ (insira aqui qualquer verbo)”, digo apenas: se tiver a oportunidade de assistir à peça, se for convidado, ou se não tiver nada melhor para fazer numa noite de terça ou quarta, apenas vá. Se der, se não der tudo bem, cada um com suas prioridades. Ninguém TEM QUE nada, óbvio.

Mas Gregório arrebenta, com o perdão do termo raso e pouco rebuscado. Fiquei impressionada com o rapaz. Que ator esplêndido. A impressão que dá é que o cara transborda tanto talento para além da comédia, para além dessas paradas de stand up, que bota quase todos os coleguinhas do ramo no chinelo. Rola uma melancolia da comédia. Saca um palhaço triste? Ou aqueles filmes que fazem rir mas são de uma tristezinha interna e aí não sabem como classificar quando passa no “Supercine” (essas coisas nunca passam na “Tela quente”) e lascam um “comédia dramática”? É meio assim. Eu gosto à beça dessa linha.

Para quem não viu, a peça é escrita por João Falcão e foi encenada pelo Marco Nanini há 15 anos. Um autor passa uma noite em claro tentando escrever uma peça de teatro depois que sua mulher o deixa (essa seria a sinopse que eu escreveria em uma linha. Lembrem que eu sou a pessoa que fazia sinopses curtas para o roteiro de cinema de um determinado jornal escrevendo aberrações como “Homem tem super-poderes” para “Superman” e “Jovem vive em Paris” para “Um lugar na plateia”. Escrever não só é a arte de cortar palavras como excluir o raciocínio lógico também). Esse é o mote da peça.

Mas o pânico do autor diante da obra, na peça, é sensacional. Em um dado momento, o personagem pede uma ideia a Deus, que lhe dá uma infinidade de luzes (literalmente). “Deus, porque o Senhor me pôs no mundo quando todas as ideias já foram tidas e tudo já foi escrito?”, ele reclama, não exatamente com essas palavras. Não tem um dia em que eu não me pergunte isso. Sobre o que vou escrever? Tudo já foi feito. Tudo já foi dito. Nada mais é inédito. Que saco, hein. Ideia genial, essa fantasia.

Em outro momento, ele fala para a mulher (que não está lá, é quase uma amiga imaginária) que vai fazer a peça, sim, que vai escrever a peça e que ela vai ao teatro ver e que a mãe dele também vai ver e AI MEU DEUS TODO MUNDO VAI VER A MINHA PEÇA SOCORRO.

Pescou? É mais ou menos assim que eu me sinto quando escrevo.

Sério, se puderem assistam à peça.

Quem é Domino Kirke?

Tudo começa assim: vi uma série, que me levou a ver um filme, que me levou a baixar a trilha sonora, que me levou a pesquisar quem cantava aquela música que eu gostei tanto.

A música era essa:

Domino, com seus 20 e tantos/quase 30 anos, é Domino Kirke, irmã de Jemima Kirke – sim, a Jessa de “Girls”. Foi modelo, foi cantora e compositora, resolveu virar doula, voltou a cantar. É uma das preferidas das grávidas hipsters de Williamsburg (a outra irmã, Lola, tem uma banda).

Breve parêntese para uma foto das três irmãs na Vogue UK. Domino é a da direita.

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Em 2006, Domino (a cantora e a banda, que levava seu nome) abriu para Lily Allen. Hoje em dia ela segue em carreira solo, prepara um novo álbum, estuda para ser parteira, tem um guri de uns 3 anos e escreve um livro sobre o trabalho como doula.

Curiosamente até hoje não achei um arquivo que prestasse com as outras músicas dela (MySpace antigo não conta muito), o que acabou deixando “Hide and seek” no meu repeat mental desde que tive acesso (eufemismo para efeitos jurídicos) à trilha de “Tiny furniture”.

“And what if life is just a game of hide and seek? I feel like I’m getting older and what I want is just around the corner”. Como não suporto a personagem de Jemima em “Girls”, acho que Domino é a irmã Kirke que mais gosto desde já.

“Não dá para fazer tudo para todo mundo o tempo todo”, diz o moço da farmácia

Há coisa de uns dois meses entrei na farmácia já bem tarde, saindo do trabalho, com uma receita da dermatologista na mão. Estava há quase um mês com o papel na bolsa. Nunca pegava a drogaria aberta (sim, e ela fecha às 22h). Nesse dia eu consegui.

- Oi, boa noite, o senhor tem o Gel X Para a Pele?

Mostrei a receita.

Foi aí que a conversa mudou de rumo.

- Vamos ver… Você tá com acne?

- Não, minha pele tá só um pouco oleosa, acho que é do calor.

- Me diz uma coisa, você é muito ansiosa? Tem crises de ansiedade, palpitação, dor no peito?

- Sou. Muito. Tenho.

- Vou te contar uma coisa. Eu trabalhei durante muito tempo numa farmácia em que o dono era um cara muito bacana, mas sofria muito de ansiedade. Ele perdeu todo o cabelo. Era muito ansioso.

Já estava pensando que se toda essa ansiedade dentro do meu peito se revertesse em menos cabelo não seria tão ruim. Se bem que poderiam cair uns tufos desordenados, eu poderia ficar com uns buracos desconjuntados, e aí estaria mais ansiosa. Melhor não. Melhor ter meu muito cabelo mesmo. Tá bom assim.

Aí o moço continuou:

- Vou te dizer a mesma coisa que eu disse pra ele na época.

- E o que foi?

- Não dá para fazer tudo para todo mundo o tempo todo.

Saí da farmácia bem pensativa. Não dá para fazer tudo para todo mundo o tempo todo. Como eu nunca tinha percebido isso?

(Resposta: provavelmente estava muito ocupada tentando me multiplicar em trezentas para dar conta de fazer tudo para todo mundo o tempo todo. Obrigada, moço da farmácia: o senhor me deu material suficiente para reflexão desde então).

Nomes de esmaltes e o Cardápio da Firma

Durante muito tempo achei que a melhor profissão do mundo deveria ser a do sujeito que cria os nomes de esmaltes – só uma mente num estágio muito avançado de loucura poderia ser capaz de pensar coisas como Marshmellow de Alfazema ou Via Láctea ou, ainda, de dar a um esmalte cor de rosa o nome de Tieta (Tieta = vermelho, óbvio).

Até que conheci o Cardápio da Firma. Taí uma pessoa que barrou o Batizador de Esmaltes: o Batizador de Pratos da Firma.

Acompanhem comigo os nomes já catalogados: Chuchu Mimoso, Vagem Festiva, Salada Futurista, Salada Magnética  e, hoje, a Cenoura Burguesa.

Como bem disse minha irmã, se fosse cenoura com caviar eu até entenderia o nome (talvez o Batizador de Esmaltes já precise de um curso de reciclagem com o Batizador de Pratos da Firma).