Top 5 da semana: “Não se deprima”

Sabe aqueles dias em que você acha que tudo vai dar errado e seu pensamento mais positivo é “como eu queria ir para Niterói hoje, seria um bom momento para me tacar da ponte”? Pois é. Calma, amiga dona de casa. Jurei que ia produzir uma coletânea de canções anti-depressão e a prova de dias ruins, mas aí me dei conta de que ouvia as mesmas músicas E que este blog estava tão abandonado que merecia um post picareta com vídeos de YouTube e comentários. Não me recriminem, eu sei que isso é feio. Mas vocês não querem umas musiquinhas anti-corta-pulsos? Pensem pelo lado da utilidade pública.

E sim, eu começo minhas listas pelo último lugar.

5. Tiê, “Pra alegrar o meu dia”

Não sei vocês, mas eu gosto de vaquinhas e essa música me dá uma ligeira vontade de fazer umas danças desengonçadas. É um primeiro passo. E o título é tão óbvio para a nossa finalidade aqui que chega a me comover.

4. Mayer Hawthorne, “Your easy lovin’ ain’t pleasin’ nothing”

Tem dancinhas, tem piscina, tem maiô engana-mamãe. Tem o Mayer Hawthorne. Automaticamente me transporto para um filme da Sessão da Tarde onde as pessoas são felizes, andam de bicicleta, têm bochechas rosadas e cookies no forno.

3. Feist, “1234″ versão Vila Sésamo

Nessa eu apelei. Eu sei. É que Vila Sésamo faz feliz.

2. Pete Yorn & Scarlett Johansson, “Relator”

A essa altura eu já estou achando que vivo num episódio bom de “Glee” (é, eles existiram um dia) e tenho vontade de sair dançando e rodando pela rua tal qual um peru num terreiro.

1. Eliza Doolittle, “Pack it up”

Recorde pessoal num dia ruim: 4 vezes seguidas no repeat. Isto tem poderes sobre a alma da pessoa que sofre, senhores.  E o mar azul do clipe? E a letra? O puro suco da auto-ajuda musical. Vejamos:

“I get tired, and upset, and i’m trying to care a little less
And on Google I only get sad and depressed, I was taught to hide those issues, I was told:
Don’t worry, there’s no doubt, there’s always something to cry about
When you’re stuck in an angry crowd they don’t think what they say before they open their mouth, you gotta

Pack up your troubles in your old kit bag and bury them beneath the sea
I don’t care what the people may say, what the people may say about me”

Temos uma campeã. Bom dia para você também.

Da série “como proceder?” – A irmã mais nova da minha amiga casou e teve filho”

Uma das coisas mais eficientes para indicar que sim, você está envelhecendo, é o Fator Caçula. Explico. Lembra quando você tinha 15 anos, amava Guns ‘n’ Roses, usava vestido florido com nauru da Redley e já começava a nutrir sentimentos pelos jovens ogros da sala de aula?

Você certamente gastava boa parte das suas tardes de estudo desabafando sobre essa paixão recolhida por aquele rapazinho imberbe que sequer olhava na sua cara – ou, pior, que dizia precisar conversar com você, enchia sua vida de esperanças para, no fim das contas,  colocar seu pobre coraçãozinho em um espeto como aquele pedaço de cupim que ninguém quer comer na churrascaria dizendo que sim, amava a garota da outra turma. Pois bem. Numa dessas tardes, em que você se divertia rabiscando o nome do gajo no caderno, fazendo brigadeiro e vendo My So-Called Life na TV na casa da amiga, havia mais alguém. E era a Irmã Mais Nova.

A Irmã Mais Nova da Melhor Amiga era quase uma entidade. Melhor: um Gremlin. Se você tratasse bem a criança, ela grudaria no seu pé pior que chiclete. Se você tratasse mal, bem, pegaria mal. Mas a Irmã Mais Nova da Melhor Amiga era um bom termômetro para a mudança de hábitos de cada geração – e  para a sua angústia pessoal.

A Irmã Mais Nova Da Melhor Amiga começa a herdar as roupas da sua amiga. Depois, passa a receber os mesmos telefonemas secretos que vocês recebiam. Algum tempo depois, passa a desprezar vocês, mais velhas e antiquadas. Anos e anos e anos e anos depois, quando sua amiga e você mal se veem, ou já estão formadas, ou estão cuidando da vida – seja trabalhando, seja cuidando da casa, seja tentando arrumar um marido (acontece, gente, há quem chegue aos 30 e comece a ter esse tipo de afliceta desespero) – você pensa:

- Por onde andará a Irmã Mais Nova da Melhor Amiga?

Opções:

a) Com 20 e alguns anos, ela está casada, virou dona de casa e é mãe de um casal de gêmeos que parecem ter sido gerados e nascidos em um comercial de margarina mashupzado com um anúncio de fraldas para bebês. 

b) Ela está fazendo o que nem você e sua amiga fizeram: mudou, foi morar fora, está estudando, virou hippie/hipster/maluca mesmo.

c) Ela fez a faculdade certa e hoje ganha mais dinheiro que você e sua amiga juntas. Virou executiva e esfrega na cara da humanidade sua riqueza.

d) A dita cuja fez tudo isso que está listado acima em menos tempo que você e sua amiga, a irmã mais velha.

Você pode até invejar a vida mais fácil que ela teve depois que você e sua amiga desbravaram fronteiras – tipo a da meia-noite como horário-limite para voltar de festas. Sim, a juventude dela foi um pouco mais fácil. Mas angustia ver que o último bastião da infância, aquela criaturinha chata e intrometida – ou aquela fofurinha que sentava no seu colo, ou te abraçava e dizia que o seu cabelo era lindo - hoje não é mais uma criança e tem uma vida tão ou muito mais ativa que a sua.

E, claro: ver que você envelheceu. E nem se deu conta até ver as fotos dos filhos da Irmã Mais Nova da Melhor Amiga.

PS: Ironia das ironias, minha melhor amiga há alguns anos já foi uma Irmã Mais Nova do Melhor Amigo. Com isso avanço mais cinco casas no tabuleiro do Jogo da Vida

Atividades que socializam (e que não pratico)

Não gosto de comida japonesa. Já tentei. Juro. Mas essas coisinhas enroladas com peixe cru realmente não me descem. Com o tempo, comecei a perceber que, oh, não! Essa era mais uma das atividades que socializam das quais não faço parte. Tudo é empiricamente comprovado. Já testei várias vezes. Pense na cena: você encontra um amigo que não vê há tempos. Papo vai, papo vem, vocês têm que ir embora. Inevitavelmente ele há de dizer “vamos marcar alguma coisa? Vamos naquele japonês novo que abriu…”.  Ouse dizer “ahn, não gosto de japonês, mas podemos marcar em outro lugar…” e você verá, em seu interlocutor, a expressão de pena e lamento pela sua incapacidade de degustar essa delícia (NOT) da culinária mundial. Vamos à lista completa das atividades que socializam e das quais não faço parte – você pode estar nesse time também, junte-se a nós.

1. Restaurante japonês. No início, todos os amigos aceitam ir a lugares onde existam comidas que você gosta. Com o tempo, eles passam a sugerir bares onde as duas opções coexistem (embora eu ache que esse tipo de estabelecimento, à exceção de churrascarias, não inspira muita confiança).  No final, eles passam a te chamar de chata porque “todo mundo gosta de um japinha, como você não gosta? Já provou hot? Yakisoba?”. Querida, já provei tudo e não gosto, posso ter paladar infantil? Grata. 

2. Tomar café. Pode reparar: todo mundo que quer ser fino marca um café. É o equivalente ao restaurante japonês no mundo corporativo. “Vamos marcar um café?”, “Abriu um café ótimo perto do escritório”. O que vocês têm contra o chocolate quente? E um chá? Por que não um chá? Sem querer estragar o clima, você marca o café. E pede um chocolate. Ou uma água. ou, heresia das heresias, um refrigerante. Seu interlocutor estranha. “Você não bebe café?”. Não, amigo, eu sou a única repórter do Rio de Janeiro que não bebe café – e não sou menos confiável por isso. Posso pedir um Toddynho em paz? Obrigada. 

3. Andar de bicicleta. Quando você começa a se aproximar dos 30 anos passa a receber convites estranhos. Seu amigos que antes te chamavam para festas agora passam a convidar você para almoços, piqueniques, passeios de bicicleta. De preferência de manhã, no máximo às dez. Olha, não é porque estou velha que passei a gostar de acordar cedo. Mas o pior não é isso – você pode andar de bicicleta no fim da tarde, apreciando o pôr do sol na Lagoa, certo? Você pode se você SABE andar de bicicleta. Agora experimente dizer isso ao seu amigo sem receber de volta uma cara de espanto. “Você tem 30 anos e não sabe andar de bicicleta? Mas é tão legal, é tão fácil de aprender! Eu te ensino!”. Normalmente agradeço a generosidade e a boa vontade da pessoa amiga, mas olha, não aprendi até hoje, algo me diz que o que me falta é equilíbrio. E, mais uma vez, você percebe que está excluindo da sua lista mais uma atividade socializante. 

4. Fumar. Algo que nunca fiz questão de fazer. Mas sabe aquele momento da tarde em que todos os seus amigos somem do escritório? Eles estão fumando. E fofocando. E você, que não fuma, fica sentado na sua mesa, vagando pela internet. E quando eles voltam rindo você pergunta o que rolou e ninguém te conta. Infelizmente, fumar é uma atividade socializante. E em festas? Com as novas leis (ainda bem), ninguém mais fuma na pista. Seus amigos saem para a área reservada aos fumantes. E você fica com cara de bunda no bar, esperando o povo voltar. Normalmente alguma amiga sua já megasocializou com um gatinho no fumódromo, e sua cara de bunda certamente vai durar por mais tempo. Solução alternativa: acompanhar os fumantes e comprar um chocolate (aposto que quem criou aqueles Cigarrinhos de Chocolate não era fumante, era um pobre indivíduo que só queria socializar, coitado). Ainda assim, o questionamento óbvio “você não fuma? O que está fazendo aqui?” é inevitável. 

5. Ter filhos. Chega uma idade em que suas amigas começam a engravidar. E a ter filhos. E elas passam a formar uma incrível irmandade onde as crianças são o elo socializante. Você pode ter namorado, ser casada ou ter um rapaz que te ajuda: você não tem filhos e é vista como uma pessoa com uma vida social muito exótica – mesmo quando você só tem por hábito frequentar alguns restaurantes e ocasionalmente ir ao cinema à noite.  Veja bem, não estou dizendo que você deve ter filhos só para socializar: só estou atestando que as crianças agregam em torno delas uma comunidade de mães com um assunto em comum. “E você, quando vai ter o seu?”, elas perguntam, ansiosas. Resposta imaginária: “quando eu ganhar na MegaSena”. Resposta dada: “vamos ver, né?”.

Eu ainda tenho blog?

Funciona assim: você tem uma lista de coisas que te deixam muito feliz. Um blog, um tempo livre, um namorado querido, família idem, amigos idem,  suas músicas, seus livros, seus hobbies, aquele ponto de cruz, aquela vontade de brincar de invencionices na cozinha. E aí uma tsunami de trabalho e problemas/questões do cotidiano vem e te leva e te afoga e varre tudo do mapa – seu tempo, sua vontade, seu ânimo. Quando a maré fica baixa de novo você vê os estragos: cansaço, aflição, lama. Por que o tempo que você perdeu não volta mais.  E botar tudo nos eixos de novo demanda um certo esforço. Por que olhar o estado das coisas e pensar “por onde (re)começar a ter a vida que eu tinha?” é sempre meio complicado.

Você pensa nos telefonemas que não deu, nas visitas que não fez, nos médicos a que não foi, nos “estou com saudades” que você não disse. Você pensa no dia em que ficou até mais tarde no trabalho e deixou de ver aquele amigo ou chegou em casa e  mal conseguiu dar boa noite pro namorado e caiu imediatamente no sono, no domingo em que você estava tão cansada que não teve condições sequer de levantar da cama, quanto mais de pegar um ônibus e ver alguém. Você pensa nas coisas que quer fazer e não consegue, mesmo tendo esse “tempo livre” de volta. Ah, inércia, this heartless bitch.

Como para tudo tem um primeiro passo, lá vou eu dar o meu. “Eu ainda tenho blog?” é uma pergunta quase metafórica. “Eu ainda tenho vida?”. Tenho sim. Então bora ajeitar tudo isso que tá aí.

PS: Desculpem pelos furos nos últimos meses, prometo voltar a ser normal <3

A ditadura da calça 40

Tenho vivido um drama que preciso dividir com vocês, amigas donas de casa. A verdade é que ganhei peso. Pode parecer pouco para vocês, mas a medida dos meus quadris, que insistem em não caber naquelas calças jeans lindas e caras tamanho 40 que um dia comprei em cinco vezes no cartão, já me incomoda. Sim, eu devo malhar, dietar, o que seja. Um dia eu faço. Mas pior do que estar um tanto acima do peso é tentar se vestir de acordo com o novo manequim – e não conseguir.

Nunca fui magra. Quer dizer, já vesti 36 e 38 há 10 anos, quando esses tamanhos não pareciam saídos das prateleiras infantis. Mas sempre fui, como dizer, avantajada. Um metro de quadril tá bom para vocês? Pois é. Posso até ficar magra, mas essa medida raramente diminui.

Então, munida de paciência e da necessidade de um singelo short jeans no calor carioca, decidi entrar em várias lojas, das mais baratas às mais caras, perguntando “você tem short boyfriend tamanho 42?”.  A intenção, além de comprar a bendita peça, também era notar as variações de tamanho a que somos submetidas.

Pois bem. Nas lojas de rua de Ipanema não achei o short. Ou não tinha o modelo que eu queria, ou o tamanho não servia.  Cada loja tem seu próprio conceito do que é um short 42: para umas, ele deve servir em uma jovem desprovida de curvas. Para outras, ele deve apenas tapar a calcinha, deixando as coxas totalmente à mostra.

O pior está por vir: ciente do fato de que sim, as lojas estão reduzindo as formas – basta pegar uma calça 42 de alguns anos atrás e comparar com uma produzida hoje em dia, é visível a mudança – , comecei a pedir um número maior. Afinal, eu quero um short larguinho, não um fio dental feito de jeans.

“Nós não trabalhamos com números maiores que 42″, me diz a vendedora de uma loja meio patricinha classe média em Ipanema. “Como assim? Essas formas são micro. Esse 42 não é 42″.  “….”, me diz (diz?) a vendedora.

Ou seja: além de constatar que as roupas de adultos têm sido feitas com crianças em fase de crescimento como molde, ainda sou obrigada a ouvir isso e processar mentalmente “bem feito, sua gordinha safada, aqui só se veste quem tem manequim 38. Vai ali dar uma corridinha e perder 8 quilos que você passa a caber nas nossas calças. E se ficar irritadinha comigo entra ali na loja do lado e chafurda num brigadeiro”.

Bom, já convencida de que minha bunda é enorme demais para o novo tamanho 42, entro numa loja e peço uma calça 44. Resultado: larga. Do tipo paga-cofrinho.

Tentei em uma loja popular. A variedade era enorme (tal qual meu quadril).  Mas sabe aquele modelo bonitinho? O mais bonitinho? Não tem 42. Opa, tem um 42 de outro modelo ali, mas ele tem o mesmo tamanho do 40 daquele da outra arara.  Opa, e esse 42 aqui que coube? Ah, mas não é do modelo que eu gostei.  E o 44 daquele? De repente serve (já deixando o orgulho de lado)! Não tem. Padrões: não trabalhamos.

Ou seja: continuo sem um short e sem saber que tamanho afinal eu visto.  E, pior, sem saber onde posso encontrá-lo. Cogitei cortar a calça do namorado, mas como sou habilidosa com tesouras (not!) achei por bem continuar minha saga e debater com minhas amiguinhas (/palmirinha): vocês passam pelo mesmo problema? Também sofrem com essa numeração maluca nas lojas? Como conseguiram resolver essa questão? ABAIXO A DITADURA DA CALÇA 40!

Pode ficar deprimida?

Olha a Keiko LynnTem gente que ouve música triste e deprime. Tem gente que vê filme triste e deprime. Eu vejo fotos e me deprimo. Existe um nível de depressão, amigas donas de casa, que está acima da inveja, este sentimento tão mesquinho e mundano. Você não quer o que a pessoa tem: você observa, percebe que não está neste patamar e simplesmente admira, se inspira, parabeniza, deseja felicidades e pensa “Deus conserve”.

Tá, a sua avó usaria essa expressão, mas é que eu uso expressões do tempo de vovó mocinha mesmo, relevem. Enfim, digressiono. De tanto ver fotos às quintas-feiras (na Revista da TV temos uma coluna chamada “Tapete Vermelho”, com fofocas das estrelas de Hollywood e capas de revista e produções e red carpets lindíssimos, que fecha… sempre às quintas) consegui catalogar os tipos de depressão vigentes no mercado.

1. A depressão hollywoodiana. Essa é clássica. Basta entrar no Red Carpet Awards, ou na InStyle, ou ver as capas da Vanity Fair, da GQ ou da _____________ (insira aqui o nome da sua revista gringa preferida).  Você vê a Scarlett Johansson toda lânguida, a Natalie Portman toda graciosa, a Dianna Agron com um vestido lindo de morrer e você só consegue pensar… “ai, até deprimi, nem nascendo de novo e voltando 12 casas no tabuleiro chego nessa fase do jogo”. Mais uma vez, o tom não é de inveja. É de admiração. Na minha frente ninguém fala mal da Drew Barrymore, tá? Defendo como se fosse amiga de infância. Quem falar mal apanha. Mesmo quando ela me deprime.

2. A depressão intelectual. É quando você admira tanto uma pessoa que é gente que faz (nota mental: mais uma expressão entregadora de idade), mas tanto, que … adivinhem, se deprime. Tipo Sofia Coppola. Gênia. Deusa. Musa. Diva. Absoluta. Se algum dia eu escrever alguma coisa que nem esta mulher talvez eu me deprima menos vendo os filmes incríveis que ela fez e que eu amo absurdamente. Enquanto isso… Sofia Coppola me deprime.

3. A depressão next door. Essa é a que por vezes evolui para a inveja. Amigas donas de casa, não, eu disse não caiam no lado negro da força. Não se deixem levar por este sentimento mesquinho. Admirem e aprendam. Minha depressão next door atende pelo nome de Keiko Lynn. É sério. Experimente dar uma olhada no blog da menina. Que roupas lindas! Que make incrível! Que Brooklyn maravilhoso e reluzente no fundo das fotos!  Sério, juro que dá até vontade de levantar, malhar, economizar dinheiro e comprar mais roupas. Rapidamente e obviamente a vontade passa e me atenho ao que posso fazer de maneira mais imediata: me maquiar e pensar em encontrar uma boa costureira no Rio, isso sim.

Bem amigas da Rede Globo….

… que caíram aqui por esses dias, por conta das queridas Carla Lemos e Camila Coutinho: bem-vindas, SUAS LINDAS! Prometo tirar uns posts da pasta dos rascunhos pra receber bem vocês, tá? História nova é o que não falta. Beijo e apareçam, agora ali vou ali num momento “Profissão Repórter” básico. “If I could talk I’d tell you”, já diria Evan Dando, ó:

Descapitalizada nos States, mas comprando – parte I

Viajar já estoura qualquer orçamento. Quando ele é apertado então, nem se fala. Fui para Nova York com o mantra “não vou gastar muito” na cabeça, mas é impossível (até pela quantidade de pechinchas encontradas). Taí a fatura do meu cartão de crédito e minha conta bancária que não me deixam mentir.

Mas ainda assim uma vida de semi-glamour é possível. Munida de disposição e pouco dinheiro, bati perna por Nova York e tentei garimpar o que havia de bom, bonito e barato. Acho que consegui. Espero que essas dicas ajudem você, amiga dona de casa, a tomar coragem e comprar suas passagens divididas em 12 vezes no cartão (outro, não o que você vai levar pra viagem).

* Roupas e acessórios

O vestido mais caro que comprei custou exatos US$ 19 na Zara, já em Chicago. Em Nova York você só gasta muito se quiser. Sim, dei sorte e peguei liquidações de 4 de Julho, mas a maioria das coisas que comprei normalmente já teriam esses preços em outras ocasiões.

- Macy’s. Oito acessórios por US$ 35. Brincos, colares e anéis.  O mais caro custou US$ 10, o mais barato saiu a US$ 3.  Não se intimide com o tananho da loja e fuce as prateleiras de cacarequinhos. Dica:  marcas famosas de jeans sempre estão em oferta. Vi short boyfriend Calvin Klein a US$ 24 e calça Levi’s a US$ 29,90. Obviamente nada que coubesse na minha bunda imensa tamanho 42, mas se você vestir 38 é molezinha encontrar.  Macy’s:  51 West 34th Street.

- Uniqlo. A loja de origem japa (atenção aos tamanhos nas etiquetas, o padrão de várias roupas é japonês) tem ofertas diárias. Bom, pelo menos quando lá estive. Saldo: dois vestidos a US$ 15,50 cada e outro vestido por US$ 14,90 (que custava US$ 29 antes, vale ressaltar). Uniqlo: 546 Broadway

- Buffalo Exchange. Pesquisando no site da New Yorker achei o Buffalo Exchange, brechó bacaninha no Brooklyn. Vale MUITO a ida. Embaixo, um brechó mais brecholento ainda. Não se engane, o Buffalo é na portinha do lado, subindo uma escadinha. Organizadíssimo: araras com roupas divididas por tipo – saias, vestidos, casacos… Saldo do dia: um vestido a US$ 10, uma camisetinha a US$ 5 e uma camiseta para o namorado a US$ 8. Buffalo Exchange: 504 Driggs Avenue, Brooklyn.

- Beacon’s Closet. Famosérrimo, não tem como não ir. Mas fica a dica: é longe pra caceta. A pé, no sol, é quase um oásis no meio do deserto. Andar do metrô até lá é meio complicado. Achar táxi no Brooklyn também. Mas vale a ida. É imenso. Só a parte dos vestidos tem o tamanho praticamente de um quitinete. Estava sem paciência para experimentar muita roupa, então comprei um vestido a US$ 10 e uma saia balonê (pois é) a US$ 11.

- Fred Flare. O mais importante sobre a Fred Flare é que ela fica na Meserole Avenue, e não na Meserole Street. Não cometa o mesmo erro que eu cometi, sim? A loja, que BOMBA na internets, é pequenininha. As roupas, sinto informar, são caras. Mas se você ama cacarecos, se jogue. As vendedoras são simpaticíssimas. E dali é pertinho encontrar o metrô. Comprei uma bolsa-carteira Hello Kitty a US$ 28 (tá, foi um luxinho dispensável, mas amo bolsas de Hello Kitty), um Domo a US$ 12 pro namorado, uma camiseta a US$ 9,90 pro namorado, uma camiseta a US$ 5 pra mim e mais uns cacarequinhos que não passaram de US$ 3 (lencinhos com cheiro de cupcake, uma mini-matrioshka, uma caixinha de balas com a inscrição “We met on Facebook”).  É pertinho do metrô e Brooklyn é fundamental, assim como Gottardo *piadainterna*, mas se você estiver com preguiça compre online e mande entregar onde você estiver hospedada, a loja virtual é tão bem fornida quanto a física.

Fico devendo as fotos das aquisições e a parte 2 das dicas. Gente, é pobrinho mas é de coração, tá? É que as amicas me pediram tanto as minhas impressões de jovem descapitalizada que me sinto na obrigação de prestar contas para a sociedade.

Pelo direito de usar blusa larguinha

Você não está obesa, mas também está bem longe de ser magra. Você acha que passou da idade de usar baby looks e blusinhas coladinhas no corpo. Você também acha que parecer piriguete aos quase 30 anos é um pouco demais.

Aí você compra uma blusinha larguinha. Se anima e usa um vestidinho com legging, ou uma batinha com calça jeans. E automaticamente todos os olhares se voltam para a sua barriga. Reação automática ideal: “não estou grávida, estou gorda mesmo”. Resposta automática ideal: “imagina, você tá ótima! Uma gracinha essa batinha”.

Alerta ligado: quando alguém diz “uma gracinha essa batinha” pode ser sinônimo de…

1. “Continuo achando que essa blusa larguinha é para disfarçar a pança”

2. “Hmmm… Achei cafona, tá uma vibe Citycol”

3. “Você tá mesmo parecendo grávida, eu tô só tentando disfarçar o constrangimento pela situação, não se engane”

4. “Sou magra e não preciso dessas artimanhas, mal aí, flagrei sua intenção”.

Mas qual o problema da blusa larguinha? Também tem gente magra que usa, não tem? Ou eu sou obrigada a usar calça jeans, blusa certinha no corpo e ficar encolhendo a barriga o dia inteiro? Porque convenhamos: melhor usar um vestidinho ou uma batinha do que sair por aí embalada a vácuo e parecendo um salaminho.

E se alguém perguntar se eu estou grávida eu fecho a cara e digo que estou gorda, nem que perca um lugar no ônibus por isso.

UPDATE: No Twitter, a querida Rach Mattos dá o serviço. “melhores lugares pra comprar blusas larguinhas mas que não parecem de grávida: checklist e dress to.” Na Dress To eu compro pouco, na Checklist já comprei muito! Os vestidinhos são ótimos também.

Parênteses + retorno + suspiros: é dura a vida da bailarina que chega aos 30

Dia desses fui a São Paulo a trabalho e comprei uma revista motivada pela chamada. Há quantos anos não fazia isso? Provavelmente quando parei de comprar a Capricho, mas tudo bem. A manchete falava algo sobre “tem 30 anos e não conseguiu tudo na vida? Você não é uma fracassada” (você pode ler aqui, ó, é só clicar).

A repercussão da matéria entre as meninas que conheço – que não são mais tão meninas e que estão aqui e em todo lugar – me fez pensar (como se eu não pensasse nisso sempre) sobre essa nossa condição. Aí vejo canais de TV querendo investir em “mulheres entre 25 e 34 anos” e penso “esses caras tinham que ver um dia das nossas vidas”.

Você quer escrever mais no blog, mas não tem tempo. Quer viajar mais e comprar mais coisas, mas não tem dinheiro. Quer ler mais, mas tem sono. Quer ganhar dinheiro com suas ideias, mas não tem tempo,  porque está ocupada (não) ganhando dinheiro.  Quer se dedicar mais ao trabalho, mas tem sono e não tem tempo porque (adivinhe!) o trabalho já ocupa boa parte dele.  Você também quer se dedicar mais à casa, à cozinha, ao forno, ao fogão, ao namorado, aos animais de estimação, às séries de TV e aos shows e aos lugares legais que abrem na cidade e a jogos de tabuleiro e aos amigos e…  aí, Brasil, comofas?

Não é possível que isso aconteça só comigo. Será que eu sou louca? Com vocês também é assim? Como vocês dão conta das suas vidas e realizam tudo o que querem e precisam? Vocês dão conta de tudo? Se ressentem de estarem beirando os 30 sem estarem como imaginavam? (Eu não me ressinto, só queria que algumas coisas fossem mais fáceis, nem precisava ser molezinha)

Tá, estou devendo as dicas de Nova York até hoje (estão caducando nos drafts), mas precisava ter esse momentinho “não sou só uma máquina de escrever posts ou matérias”.

Poeira espanada, enquete feita, voltemos à programação normal!

PS:  Só um adendo sobre a tal matéria: as personagens eram todas lindas e bem-sucedidas e o efeito foi exatamente o contrário. Quando a pessoa mais  loser é sócia de uma produtora, oi? Tem algo errado. Taí o #fail do mês.